segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Reflexões de Dezembro de 2018

- A preguiças as vezes me cansa mais que a produtividade. 01/12

- Organização e faxina as vezes são minha válvula de escape, quando minha vida tá uma bagunça, quero arrumar o que tem a minha volta, só pela sensação de que posso melhorar algo. (já que nem sempre consigo dar um jeito por dentro) 03/12

- As vezes força é simplesmente buscar ter paz. (sobre meu avô estar superando bem a perda da minha avó) 05/12


- "Cuidar do meu corpo (exercícios) porque o amo e não porque o odeio" - Vídeo da Luisa Moraleida 07/12

-A inspiração é uma das melhores companhias. 08/12

- Indisciplina: Eu coloco a recompensa antes do dever, e faço a preguiça ter o efeito de uma droga. 26/12





sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Reflexões de Novembro de 2018

- Eventos sociais que envolvem álcool e muvuca me deixam de ressaca moral. (ser antissocial e "certinha" faz com o que é diversão pra maioria seja tedioso para mim) 01/11

- O processo de criação de peças em resinas serve como boa metáfora. Primeiro é preciso estar fluída para preencher um molde, depois quando está firme, ainda assim não sai perfeita e é preciso iniciar o acabamento, que é progressivo e doloroso. Dá trabalho, nas primeiras etapas a lixa é mais grossa e é preciso fazer força para dar um melhor formato, a peça se torna opaca, mas ganha uma forma mais definida e lisa. Depois as lixas aos poucos vão ficando mais finas, onde é necessária muita paciência e delicadeza para melhorar o resultado. Por fim as peças são polidas onde todos os riscos acabam por sumir, ou caso não tenha sido feito direito, as imperfeições se tornam mais evidentes, onde é necessário voltar a lixar. Só depois disso tudo, com tempo e dedicação, as peças ficam transparentes e revelam sua beleza. 02/11

- "Ninguém quer perder o afeto de quem admira se revelando em excesso" - Assinatura de todas as coisas - Elizabeth Gilbert. 03/11

- Ficar sem fazer nada  (procrastinar) não é o mesmo que descansar. Adiar tarefas me poupa fisicamente, mas me desgasta mentalmente. 13/11

- As vezes é preciso escolher: Confiar nas pessoas ou nas minhocas da minha cabeça. 15/11

- A teimosia as vezes vale mais que o talento.Se eu  não quebrasse tanto a cabeça e tentasse tantas vezes (insisto por falta de talento) talvez o processo de desenhar não teria a mesma essência. 21/11

- Casamento: Paciência e dedicação 25/11

- Pensar na morte me faz valorizar a vida 29/11 

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Grande Magia - Aprendendo com a criatividade.

Depois de ler Comer Rezar e Amar, da Elizabeth Gilbert, eu quis conhecer mais livros dela. Li o Comprometida e agora finalizei Grande Magia, que é uma obra dela que fala sobre criatividade, mas também aborda coisas além, já que fala sobre como nos superarmos. Costumo tomar nota das minhas leituras então vou dividir aqui algumas lições valiosas que tirei.
O curioso é que este foi o livro mais curto e o que rendeu mais reflexões (até dividi por temas) coisas como:

- MEDO -
O medo é o ato de defender as nossas fraquezas.
Nunca tinha visto dessa forma, as vezes vemos o medo como forma de nos proteger, mas na verdade ele defende aquilo que nos atrapalha. 
"Valorize suas limitações e terá que conservá-las."


- EXPECTATIVAS E FRUSTRAÇÕES - 
"Medir seu valor com base em sua dedicação ao processo, não em seus sucessos e fracassos."
As vezes deixamos a satisfação ser refém do resultado, descartamos a experiência, é aí que as coisas se tornam desgastantes.
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Autoconcorrência: medo de não conseguir se superar. Esse assunto foi abordado rapidamente, mas me impactou. Porque parece que já "gastei" o meu potencial, e que agora resta me conformar que o melhor já se foi. Isso é uma grande mentira! Todos nós temos poder de renovação e por isso somos capazes de nos superarmos sempre. O problema é que criamos expectativas de como as coisas devem ser e ai ficamos presos a nossas ideologias.
Temos uma ideia pré concebida que gera ansiedade e frustração. Essa ideia diz que se vamos fazer algo temos que ganhar destaque/atenção, ou temos que ganhar dinheiro. Por que batalhar tanto por algo se não for pra ter algum reconhecimento/recompensa?

Nosso próprio interesse, aprendizado e satisfação não são vistos como algo de valor. 
Desprezamos o ato de simplesmente nos realizar, porque passamos a crer que pra valer a pena não basta a satisfação, tem que haver sucesso.
Ai me veio a mente como exemplo os garotos que andam de skate, que fazendo o que gostam, não temem o risco de cair e quebrar o braço. Eles submetem-se a grandes riscos, e a maioria nunca irá ganhar a vida com isso, ainda assim andar de skate não deixa de ser algo divertido e desafiador.
Então por que nós não agimos da mesma maneira? Podem ser outras atividades, como escrever, pintar, ou para aprender algo que nos interessa mesmo que pros demais pareça não "fazer sentido".
Não deixe as expectativas altas freiarem algo que deveria ser divertido. O que me fez concluir que:


O topo não é o único caminho. 
As vezes o mais alto que irá chegar é ir mais dentro de si mesmo, é se superar se conhecer se desbravar. E tudo bem. 

Almejar apenas o topo pode virar um atalho pro fundo do poço.
"A reação não depende de você".
Não dá pra controlar a opinião que você ou seu trabalho irão causar, não deixe que a repercussão te tire a estima. Afinal você fez algo para se mostrar ou fez porque gosta? Analise-se.

"Não espere que seja fácil, mas sim interessante". 


"A frustração não é uma interrupção do processo criativo; a frustração é o processo."
Ela sempre estará lá, cabe a você saber administrá-la.

"Tudo tem seus altos e baixos 
você só precisa decidir com que tipo de baixos está disposto a lhe dar."

[...]"então a questão não é tanto 'o que você ama fazer?'
 mas sim 'o que você ama fazer o suficiente 
para conseguir suportar os aspectos mais desagradáveis do trabalho?'" (Mark Manson)




- PERFECCIONISMO -
"Para mim O perfeccionismo é apenas uma versão de luxo, 'haute couture' do Medo."
"O perfeccionismo nada mais é do que um profundo mal-estar existencial que afirma repetidamente: não sou bom suficiente nem nunca serei."


"Qualquer movimento é melhor do que a inércia, pois a inspiração sempre será atraída para o movimento."
Melhor feito do que só idealizar o perfeito. Lembre-se que se a perfeição vem com a prática é preciso adicionar paciência e determinação nessa receita pra dar certo. 
O perfeccionismo ilude pois é visto como uma ambição positiva, uma evolução, um objetivo.
Mas na realidade o perfeccionismo pode ser um desmotivador, acabamos sendo críticos demais e então se perde o entusiasmo, nos desanimamos ou desistimos por não atingir nossas ambições. O perfeccionismo é muito exigente, então é preciso entender aonde ele está te levando. Pois geralmente nem notamos que é para baixo.

- EGO -
Questões fundamentais:

I - "O que você ama tanto fazer que as palavras fracasso e sucesso essencialmente se tornem irrelevantes?"

II - "O que você faria mesmo que soubesse que é bem possível que venha a fracassar?"

III - "O que você ama até mais que seu próprio ego?"

"Seu ego é uma excelente criado, mas péssimo senhor, pois a única coisa que ele quer receber é recompensas, recompensas e mais recompensas. E como nunca haverá recompensas o suficiente para satisfaze-lo, ele sempre ficará decepcionado. Se não for controlado esse tipo de decepção pode acabar com você. Um ego desgovernado é o que os budistas chamam de 'fantasmas famintos': sempre esfomeado, sempre uivando, carente e insaciável."

"Sei que não sou apenas um ego; sou também uma alma."

"A alma deseja apenas uma coisa: encantamento. A criatividade alimenta a alma e acalma o fantasma faminto. A alma não se fere, mas o ego sim, ele quer se vingar ou ganhar o prêmio".

Cuidado para o ego não te levar para a insatisfação perpétua. Não deixe sua criatividade definhar ou seu encantamento se decompor.

E por fim um conselho, Elizabeth enfatiza para que tenhamos um caso com a criatividade, tesão, pra arrumar tempo pra ficar perto dela, como se arrisca alguém que faz de tudo para poder ver um amante.

Uma leitura leve mas profunda. Que me ensinou muito e que me motivou ter a criatividade como companheira.
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P.s: Muita coisa aqui foi escrita pelas minhas próprias palavras e interpretações, as citações estão devidamente dentro das aspas e creditadas. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Instagram e meus estragos.

Desde o ano passado, quando vi #inktober pelo instagram, eu venho esperando para participar. Nada mais é do que um desafio onde se faz um desenho por dia no mês de outubro. Deve ter algum tema original a ser seguido, mas eu quis criar meus próprios temas pois queria me desafiar.
E no fim o que aconteceu? Desisti. De consolo sei que foi melhor assim.
Quando divulgo um desenho me sinto bem exposta, mas me propus de sair da zona de conforto. Os resultados eram medianos, ruins, embora o processo era interessante pra mim, até eu querer jogar tudo pro ar, porque não saia como eu queria e a correria me fez pular um dos dias, coisa que eu não pretendia fazer.
o #inktober me fez perceber a ansiedade por curtidas, a frustração crescendo onde nada tava bom, a impaciência, me forçando a desenhar mesmo sem o tempo necessário ou vontade de explorar a ideia/tema, e o desanimo ao me comparar. Parei pois continuar só por teimosia seria um jeito de deixar o ego menos irritadinho.
Seguirei com a ideia dos temas, mas sem postar em insta, sem prazos, porque isso ainda desgasta meu processo criativo, não dá pra me forçar algo que eu ainda não estou ok pra realizar.
(entendi que devo por sobrevivência praticar o que aprendi em Grande Magia)

Mas foi bom, graças a isso reparei num problema maior. O vício em Instagram. Essa rede social já me ajudou pra caramba quando comecei a seguir páginas com conteúdo construtivo, com dicas de meditação, textos reflexivos, ou como entretenimento com acesso a arte, curiosidades, moda.
Porém começou a me fazer mal no inicio de outubro (talvez antes, mas foi quando notei) coincidindo com meu #inktober. Os motivos:
1) As eleições fizeram as máscaras de muita gente cair e é decepcionante ver a postura que adotam no escudo da "opinião política". Ver a todo tempo pessoas que prezam e querem provar excessivamente suas próprias opiniões está cansativo. Pra mim, a ignorância e o sensacionalismo é que sairão vitoriosas e não a direita ou a esquerda.
2) Eu estava procrastinando pra caramba, ligava o celular pra fazer alguma coisa e no fim acabava abrindo o aplicativo sem nem me dar conta e quando via tinha passado um tempão lá. (e muitas vezes nem tinha feito o que pretendia ao pegar o celular), tava sendo um problemão isso.
3) Virei a doida dos sorteios, muitas vezes desejando coisas que eu nem sabia onde ou quando poderia usar.
4) Não podia ver algo legal, viver um momento bacana, ou criar alguma coisa, que já ficava mega ansiosa, pensando na foto boa que eu tinha que tirar daquilo para colocar no instagram, estragando o momento ou o processo com a preocupação de me exibir compartilhar.
5) O mundinho artificial onde todos são felizes, lindos, inteligentes, divertidos e bem sucedidos passou a me incomodar, e ironicamente me viciou, virou um incomodo de estimação. Onde eu estava virando uma pessoa tóxica, julgando demais, mas "tava tudo bem" porque eu só pensava, nunca postava/comentava. Seja por inveja, tédio ou desprezo, comecei a notar que eu condenava, desdenhava e criticava mentalmente, em excesso, várias perfis que eu seguia, isso já era até "comum". Quando me dei conta tive que cortar, pois não fazia bem a energia ruim que surgia disso. Então optei por deixar de seguir essas pessoas, pro bem delas, e porque não queria mais seguir alguém só pelo ridículo prazer de ficar especulando. É vergonhoso admitir, mas infelizmente é real.
Eu poderia alegar que era a imbecilidade ou falsidade de alguns que me incomodava, e assim me justificar, mas sempre que consigo tento ver o que há de errado NA MINHA ATITUDE pois isso sim dá pra eu mudar.

Ai por mera sorte, e ao acaso, o youtube me indicou um vídeo. E nele uma garota, Vicky Cammie, falava sobre seu afastamento das redes sociais por motivos de procrastinação. O vídeo é este aqui:



Através disso repensei meu uso do Instagram, e reduzi muito o tempo que dedicava a ele. Nas horas vagas passei a estudar coisas que me interessavam, e fiquei mais produtiva. Graças a esse vídeo fui pesquisar mais sobre e passei a fazer um Bullet Journal, que ela cita lá, uma espécie de agenda/lista de tarefas/diário (terá post só sobre isso) e tive um controle maior de vários aspectos da minha vida, me organizei melhor, e percebi que era bem o que eu precisava no momento. Gratidão imensa por ter esbarrado nesse vídeo, porque me incentivou positivamente demais.
Hoje o youtube me indicou mais um vídeo dela e isso me fez querer escrever sobre. Porque pra mim o instagram ou melhor, a forma como o uso continuou sendo um problema, pois ainda perdia tempo demais lá. Então deletei o aplicativo. Sabe-se lá quando vou baixar de novo. Mas me forçarei a essas férias, quero ver o que vai mudar, quero ver como vou reagir, quero ver se darei a mesma importância depois que me acostumar com a ausência. Preciso dessa pausa.

E é isso, na nossa sociedade moderna, os novos problemas estão bem fantasiados de divertimento, nossos venenos disfarçados de mera opinião, então cada vez mais é preciso ter cautela com o que deixamos entrar na nossa rotina. Até mais.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Reflexões aleatórias III

Chorar não é fraqueza, mas também não é solução.
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A solução em três letras.

Estive tendo uns dias difíceis. Me veio uma tristeza e angustia muito forte semana passada. No geral eu estava feliz e era grata pela vida e pela minha situação. Tinha minhas insatisfações e mimimis, mas nada específico justificava tamanha tristeza.
Eu vinha de dias felizes, onde aprendia a aceitar as adversidades da melhor maneira, mas ai puft, acordei mal e assim fiquei.
Passei o dia averiguando o que poderia ser, meditei, fiz minhas preces, e nada. Estava inquieta.
Eu queria respostas, queria entender, queria mudar aquilo, queria voltar ao normal.
Geralmente se estou triste, eu vou fazer as coisas que gosto, para não ficar alimentando o que me entristece e para arejar a cabeça. Porém sem saber o que gerava aquilo em mim, nem mesmo conseguia ter concentração ou ânimo para meus hobby's, tarefas ou distrações, nem mesmo dava para ouvir música, tava difícil.
Meus pensamentos se resumiam em: ficar mais mal comigo mesma por me sentir alguém ingrata, por me sentir maluca por não me entender e por isso não conseguir também me explicar, por me sentir culpada, pois tudo parecia ridículo. Minha mente não parava um segundo. E isso cansa e irrita.
Então na teimosia e ainda pedindo respostas nas minhas preces, eis que minha voz interior me orientou o seguinte:

-Pare de procurar racionalizar tanto. Pare de buscar respostas ou explicações pra tudo, pois você agora só precisa de PAZ e não de conclusões.

Por algum motivo eu ri, percebi que era isso mesmo. Eu estava tão vidrada nessa sensação ruim que tinha se instalado em mim, que devo ter gerado com isso uma baita ansiedade, o que piorou tudo. Eu só queria expelir aquilo, as tentativas de analisar a situação só geravam frustrações e na verdade eu acho que precisava ficar triste -por mais que eu não aceitasse- para reorganizar algumas coisas. Percebi que somente com essa mudança drástica, com essa tristeza inconveniente, é que fui notar que eu não estava em paz, tava dando muita trela pros meus pensamentos, eu não estava vivenciando o momento, queria mudá-lo nessa maluquice de querer entender tudo, e ai veio algo além da minha compreensão para me fazer parar. A princípio me frustou a ausência de respostas, mas depois que aceitei que algumas coisas são assim, ai automaticamente fez sentido e a paz se instalou. Eu estava mascarando a solidão e o silêncio. Estava me ocupando o tempo inteiro (seja produzindo algo seja me distraindo), para não ter que confrontar a solidão e porque o silêncio estava me deixando desconfortável comigo mesma. Parece que esse baque veio para me desacelerar, para me obrigar a ficar em silêncio, para me permitir o real desfrute da solidão, para ter paz, para ficar a sós comigo mesma.
Eu sou meio doida, oscilo muito entre procrastinação e produtividade, usando um pra compensar o outro, mas acabo insatisfeita em ambos os estados. Ou me sobrecarrego, ou me sinto uma inútil.
E as vezes eu nem percebo o quão nocivo pode ser. É como se eu corresse, e depois parasse, sentasse pra descansar, mas esquecesse de respirar. Só parar de correr não me recompõe, é preciso respirar.

Já estou ok novamente, e sou grata por esse momento confuso que tive que passar, sei que não deve fazer sentido, mas tudo bem isso. A lição no fim é que eu preciso parar de depender do tintim por tintim para me conformar. 

Reflexões aleatórias II

A insatisfação não pode ser motivação para a improdutividade.
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Passivity – britt-ingrid persson, 1938
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A frustração de não conseguir fazer as coisas como idealizo, as vezes me faz querer desistir, no meio de um desenho, minha voz interior me disse a frase do inicio do post, e isso me fez continuar tentando. Cuidado: as vezes o perfeccionismo limita e desanima ao invés de estimular.

Reflexões aleatórias I

Quanto tempo você perde no que te faz perder o foco?
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Quanto tempo você tira para aquilo que te tira da zona de conforto?



Você tem uma visão proporcional à realidade?

Hoje me lembrei de algo ocorrido na minha infância, que pode facilmente ilustrar meu jeito de observar as coisas ainda hoje.
Numa atividade da aula de artes me lembro da professora nos dar um desenho para ser reproduzido, semelhante ao da imagem a seguir:
fonte: http://tiapaulaeducadora.blogspot.com

A atividade se baseava em copiar o desenho com o auxílio da grade, olhando individualmente cada quadradinho e imitando os riscos da imagem a ser copiada, com o auxílio dos números e letras que indicam cada linha. Na minha aula era também um papagaio, não exatamente este, mas o desenho ai é só para facilitar o entendimento.
Eu gostava muito de desenhar, mas até então eu criava meus próprios desenhos, não me lembro de ter tentado fazer uma cópia de outro desenho na época, ou usar referência (a não ser o clássico contorno das mãos). E ficou gravado em mim a frustração que tive nesta atividade.
Eu com minha pouca idade estava muito indignada de ver que meus amiguinhos que não sabiam desenhar conseguiram mesmo fazer o papagaio, a maioria bem parecido, enquanto eu, que era habituada a desenhar, não me sai tão bem. Até meus colegas estranharam minha dificuldade.
Acostumada a fazer as coisas do meu jeito, eu fiquei decepcionada com meu desempenho e embora tivesse me esforçado não compreendia porque tinha sido tão difícil.

Na época me faltava a noção, de que por mais que eu devesse seguir quadradinho por quadradinho, na minha cabeça ficava gravada a imagem já pronta e por isso eu não me atentava como deveria aos fragmentos dela, e isso gerava a desproporção. Eu via o todo e tentava fazer me baseando na visão geral, parecia tão simples. Mas a teimosia me impediu de ver as coisas como precisava para alcançar o resultado adequado.
Ironicamente é isso que as vezes ainda acontece. Eu quero ver as respostas, as situações, só de forma completa, inteira, eu vejo "o papagaio" e não as linhas, talvez porque aparenta dar menos trabalho, ou por subestimar, achando fácil demais. Isso faz minha percepção das coisas não ser tão realista. Algumas situações exigem que olhemos para os detalhes de forma isolada, quadradinho por quadradinho, para que possamos acompanhar a direção real das coisas. É preciso se desapegar da imagem que criamos (papagaio) para conseguir construir a imagem real (juntando os riscos abstratos).

Essa técnica da grade também é utilizada nas artes para ajudar a aumentar/diminuir as imagens de forma proporcional. E acho que isso também se enquadra no sentido de que ser observador e ver os detalhes nos ajudam a expandir a mente e ver tudo com a devida clareza, mesmo nas nossas limitações.

Dürer, gravura, 1525

 **Acho que muitas vezes distorcemos as coisas, e não intencionalmente, mas sim por nossas opiniões terem a tendência de defender algum lado, ou também, por algo nos afetar, ai não conseguimos separar direito as coisas e só vemos a nossa maneira, nossos argumentos e convicções parecem consolidar a imagem que criamos, e as vezes isso faz nossas conclusões serem distintas da realidade. Nem sempre somos justos, porque nem sempre sabemos ser imparciais, nem sempre vemos parte por parte, as vezes vemos só o que nos interessa, e ai no final a imagem está incompleta e distorcida.

E fica aqui a reflexão: Como tem se saído a sua reprodução dos fatos? Você segue o generalizado, a visão rápida "do todo" (e se esquece das limitações que isso impõe) ou consegue ter a cautela de fragmentar e ver as coisas minuciosamente?

Eu acho muito maluco como eu aprendo com coisas que relembro da infância ou com coisas relacionadas a arte. Tudo parece se encaixar, estou lendo um livro chamado Grande Magia que fala justamente sobre ver a vida de forma criativa, e em certos pontos na leitura vejo como desenhar influencia no meu aprendizado com coisas que não tem nenhuma relação a arte.

Enfim se você curtiu a ideia da proporção para reproduzir desenhos, eu na minha busca por imagens para esclarecer o post, achei um site bem bacana que ensina técnicas de desenho e resolvi compartilhar.

Abraço.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

O livro das emoções

Eu sou uma cliente assídua de um sebo em Jundiaí, e numa das minhas visitas garimpei um tesouro. Costumo dizer que são os livros que me escolhem, e o livro que leva o título do post, me achou na hora certa.
Escrito por Bel Cesar, O livro das emoções - reflexões inspiradas na psicologia do Budismo Tibetano, é até aqui o livro mais construtivo que já li.
Nessa jornada de autodescobertas e busca espiritual esse livro está sendo meu alicerce. Com linguagem simples e objetiva, o aprendizado flui, e o interesse só aumenta. Os temas são abrangentes e tem sempre algo a se aprofundar, é um livro que serve de lupa para vermos os detalhes nas dificuldades que enfrentamos e mostra que já temos as ferramentas que precisamos e ensina como usá-las.
Por isso mesmo considero ele um "livro denso", tem tantas lições, que pra absorver tudo minha leitura é mais lenta. E crio pausas para digerir cada coisa que o livro estimula a explorar.
Nunca grifei páginas de um livro com tamanha frequência. Entre coisas que me servem de lembrete, outras que me identifico, algumas dignas de várias reflexões, meu livro está cheio de frases sublinhadas.
Um livro que ajuda na auto estima, na percepção das coisas, no autodesenvolvimento e também mostra como o budismo cria caminhos para tornar tudo isso possível.
É minha leitura preferida, embora nem sempre é fácil, pois o livro também nos faz confrontar aquelas coisas que insistimos em ignorar ou que tememos tocar. Mas é tudo tão  absurdamente necessário que é encorajador.
Sou muito grata pela sorte de ter acesso a esse belo trabalho. Pois este livro é o que mais tem me ajudado. Já li coisas que me ajudaram muito, como Osho, mas vejo no Livro das Emoções uma enciclopédia da vida, um guia da auto descoberta e um suporte a autoestima. E eu que estava apenas curiosa para aprender sobre o Budismo Tibetano acabei nisso aprendendo mais sobre mim, sobre a vida, e fez só aumentar minha admiração ao budismo.
O livro das emoções me gerou aquele desconforto necessário para o autoconfronto. Ele não me trouxe soluções mágicas, mas me convidou a criar condições para melhorar minha vida. Aos poucos vou postar mais sobre o livro, separando por temas para não ficar extenso demais.


Conhece-te a ti mesmo.

Na jornada pelo autoconhecimento percebi o quão fundamental é caminhar com as próprias pernas. Eu sei que em meio as aflições as vezes buscamos auxílio, e queremos um atalho para alcançar as soluções. Há inúmeras formas de facilitar nossa jornada, seja por meio de leitura, de um guia espiritual, de terapias, palestras ou conselhos de amigos. Muitas vezes precisamos que alguém nos dê um empurrãozinho. Porém se deperdermos disso acabamos usando a ajuda como um andador, e ao invés de nos fortalecermos ficamos debilitados, ao invés de sermos independentes ficamos presos numa ideia equivocada. Uma coisa é precisar de apoio, outra é achar que sem ele não conseguimos sair do lugar. O principal deve sempre partir de nós. Pois a parte mais importante da jornada é aquela em que você entra em solo desconhecido e abre caminho, cria a sua trilha, e não perde tempo parado esperando por um guia/mapa, ou caçando uma rota já percorrida.
O que notei é que nossa esperança acaba tendo um foco equivocado. Esperamos por algo pronto, algo que funcione como um manual. E assim esquecemos que o auxílio externo é uma ferramenta e não uma solução. Muitas vezes por estarmos frágeis nos julgamos incapazes, porém a ajuda é como uma mão estendida, ela nos ajuda a levantar, mas também precisamos fazer força para nos erguermos. É fundamental a autenticidade e interesse individual nessa busca. Não se esprema em moldes preestabelecidos, pois isso pode gerar uma frustração crônica, de querer ser um modelo que você se impôs ao invés de ser sua melhor versão. Não se condene ou se compare, a sua jornada é diferente da dos outros.
Não espere que os outros te deem as respostas que na verdade cabe a você descobrir. Se questione, as vezes o que você busca é o que deu certo pra alguém, mas isso não quer dizer que vai ser o que é o certo para você. Não deixe que a busca pelo aprimoramento seja enfraquecida por expectativas que te distanciam do real objetivo. Analise até mesmo suas motivações.
Se você sempre precisar ouvir dos outros uma direção, não terá como ouvir o que sua voz interior tem a lhe dizer, não irá se familiarizar com seu próprio poder de escolha. Antes de recorrer a alguém tire um tempo para você, respire, repense a situação, não seja duro consigo mesmo a ponto de perder a lição se impondo punições. Se abra, se apoie, e lembre que o objetivo não é ser perfeito, mas sim se conhecer cada vez mais, pois se conhecendo você sabe o que precisa fazer para evoluir.

domingo, 29 de julho de 2018

A missão dos 51kg por 450mls.

Desde meus 18 anos eu tinha vontade de doar sangue. Mas magrela como sempre fui, não tinha o peso mínimo exigido, oscilava sempre entre 46 ou 48kg, a genética não ajudava. Fiz reeducação alimentar e até cheguei nos 50kg bem no limite do peso mínimo para doação, mas na época havia feito uma tatuagem recentemente o que me impediu de doar sangue. Acabei me consolando ao me cadastrar como doadora de medula óssea, onde o peso não foi impasse, mas ainda queria ir além. A vontade de ser doadora de sangue não me abandonou, embora meu peso baixo continuava a ser problema, e devido a mais uma tatuagem também tive de esperar o tempo exigido passar. Ganhar peso não era difícil, o difícil era eu me disciplinar para manter. Geralmente quando tento por mim mesma acaba chegando uma hora em que relaxo e os poucos ganhos logo se perdem e volto ao habitual. Percebi que desta vez eu precisava de uma motivação diferente. E eis que a vontade de doar sangue bateu forte novamente, então decidi que engordaria com o objetivo de ao menos ter o peso mínimo para doar sangue, mas não queria só 50kg, pra não correr o risco, queria me garantir com 51. E foi assim que finalmente no dia 23/07/2018 consegui finalmente doar sangue pela primeira vez.
Sobre a experiência:
O local da doação estava bem lotado, então esperei bastante, o que me daria tempo de desistir, mas eu estava era ansiosa pela conclusão da missão. Então na triagem tive de pesar, e eis que a balança acusou 51kg e umas gramas, fiquei feliz de atingir o objetivo do ganho de peso e a partir daí estava apta.
Fui vestida com uma calça legging que evidenciava bem minha magreza, e então quando a enfermeira me chamou, ela me olhou com cara de desconfiada e perguntou quanto eu pesava, respondi 51kg, não contente ela perguntou se tinham me pesado na triagem, respondi que sim. Bom eu entendo que por ser magra isso geralmente é associado a fragilidade e sei que a enfermeira não queria estar encarregada de alguém que lhe daria problemas. Estou acostumada a ser subestimada devido a magreza. Ficou claro a relutância dela em me atender, felizmente a desconfiança dela não foi suficiente para me impedir de ir adiante.
Sentei na cadeira e logo ela colocou a agulha em minha veia, é mais grossa do que estava acostumada, diferente de quando tomei soro ou fiz exame de sangue. Porém estava tranquila, estava tão animada que nada parecia ser um problema. Nesse meio tempo, uma enfermeira avisava a uma garota que ela não poderia doar sangue, pois a veia dela tinha estourado e seria melhor ela tentar novamente num outro dia. Para uma pessoa mais sensível a cena poderia ser desencorajadora, mas não pra mim. Fiquei ali abrindo e fechando a mão, olhando de canto de olho a bolsa de sangue encher. A enfermeira incansavelmente vinha me perguntar se eu estava me sentindo bem, atenção que não vi com os demais, porém fiquei grata pela preocupação. Depois entrou uma mulher que aparentava ter uns 35 anos, que já na sala de coleta sentada decidiu desistir poucos instantes antes de receber a agulhada. Estava constrangida, percebi que ela já entrou na sala tensa, o legal foi ver a prontidão das enfermeiras em respeitar a decisão dela e darem uma atenção para que ela não saísse de lá se sentindo mal por desistir. Então não tardou até que meu tempo ali acabasse. Durante todo o processo foi tranquilo, sem dor, sem fraqueza, sem tonturas. Fui então encaminhada a sala do lanche, porém ao chegar lá alguém me avisa que meu braço estava sangrando. Eu nem mesmo senti, estava banhado de sangue a ponto de pingar no chão. Não me assustei, apenas retornei para ser limpa e depois sim deu tudo certo. Ao longo do dia o braço ficou levemente dolorido, algo normal, fui avisada sobre isso, me mantive bem, sem fraqueza ou tonturas. Ao sair a enfermeira da triagem me perguntou se eu tinha conseguido doar, e respondi feliz que sim.
Foi uma realização poder ajudar alguém, poder realizar um desejo de tantos anos, e também de ter conseguido ganhar uns quilos necessários.
Com essa experiência percebi que quando a minha motivação é de ajudar alguém o meu esforço é diferente, tem mais intensidade. Estou decidida a fazer mais uma doação assim que o prazo de três meses passar. Eu pretendo fazer mais tatuagens e sei que isso vai me impossibilitar por vários meses de voltar a doar sangue, por isso já estou me programando pra fazer várias tattoos de uma vez pra depois ficar um bom tempo doando. E claro o desafio de manter o peso estará de pé, tenho gostado da disposição extra que os quilos a mais me trouxeram.
Missão cumprida, chegar aos 51kg, pra doar 450mls de sangue.  

sábado, 2 de junho de 2018

Sentir falta do que nunca teve

Ainda falando sobre mudança, hoje é mais sobre ambição, comparação e frustração. (E uma ingratidão camuflada).
Talvez a etapa mais difícil: Reconhecer a supervalorização material e meus equivocos de interpretação.
Episódio de hoje: Aprender a viver com menos. E reconhecer o suficiente.

Sabe quando você tem aquele espírito crítico e só vê defeitos? Quando sua insatisfação te faz comparar o que você tem com o que você queria ter? A sensação  de que falta algo, que depende de alguns fatores para ficar feliz? De sentir vergonha pela posição  que se encontra? Bom isso é um pouco do que senti no início dessa nova jornada.

Quando me mudei de casa eu sabia que o novo lar precisava de muitos ajustes. Porém conviver com tais pendências me impedia de ser grata pelo que tinha.
A maior parte do tempo minha sensação era de que, eu só ficaria feliz se fizesse ao menos alguns ajustes. Ou seja, estava impondo condições a minha felicidade e obstruindo o caminho para a gratidão.
Só depois de algum tempo que fui me dar conta de que o problema não eram as coisas por fazer, mas a dependencia material que eu impunha ao meu bem estar.
Eu até então não tinha avaliado esse tipo de coisa em mim. E era de extrema importância, tanto que talvez eu esteja nessa posição justamente para aprender essa lição.
A fachada da casa era bem judiada. E de alguma forma isso me incomodava e constrangia. Pois eu não  sabia, mas associava os bens materiais com o pessoal. E imaginava que julgassem minha condição simples como desleixo ou falta de competência.
Isso gerava em mim um desânimo enorme. Não dava gosto ter zelo por um lugar, que precisando de tantos cuidados, pouco se notava as melhorias mais simples.
Me entristecia muito com isso. Mas aos poucos notei minha arrogância de desprezar meu próprio teto só por causa da aparência.
Reparei que meu impasse não eram as falhas materiais apenas, notei um orgulho ferido. Um temor pela imagem que teriam de mim. Uma comparação com o que eu considerava o ideal me impedia de reconhecer aquilo que eu tinha. Uma ambição cega em que nada estava bom.
Depois comecei a avaliar a situação e percebi que o caráter de alguém não pode ser medido pelos bens que possui. Eu não sabia que via as coisas assim. Não chegava a rebaixar ou desprezar alguém por ter uma condição de vida simplória, mas me sentir mal por estar numa posição parecida me fez reavaliar tudo. E nisso noto que fui ingrata e injusta.
Esforço não se mede pela fachada de uma casa. Ou pelos bens que se conquistou. Porque muitas vezes os objetivos, prioridades, desafios e condições são diferentes de uma pessoa pra outra. E não é o que você tem que te define. É o que você é, inclusive, apesar do que não tem.
Fico agora com vergonha de como eu pensava e não pelo pouco que tenho.
Aos poucos aprendo a reconhecer a suficiência das coisas. E hoje vejo até abundância onde eu via escassez. E assim me permito ser grata. Isso não quer dizer que me conformei. Mas que aprendi a respeitar cada etapa, e que se estou nessa tenho que saber olhar para que o sou e o que tenho e ser grata. Pois o que tenho hoje me capacita a alcançar o de amanhã. E são as dificuldades que nos dão a chance de crescer. Quando conseguir ir pra outra etapa e tiver adquirido melhorias serei grata pelo progresso. Se vier a perder o que conquistei darei também um jeito. Toda fase tem um motivo e um desafio. Não quero viver em função de alimentar o ego. Quero parar de fazer minha felicidade depender do que ainda não atingi. Parar de comparar. De encontrar maneiras de sorrir com o que está a minha volta.


sábado, 26 de maio de 2018

Entrando no armário.

O post de hoje ainda trata dos efeitos da mudança. Me mudei a prestação e parece que só no final senti os reais impactos. 
Antes meu deslocamento tinha motivo, "ah acho que me sentirei melhor quando todas as minhas coisas estiverem aqui". Pois minhas coisas enfim se acomodaram e a sensação não foi a de conforto, mas de confronto.
Eu falei no post passado sobre APEGO e este também retratará isso, mas ainda sinto que terá mais o que ser explorado sobre o tema.
Enfim, sempre fui muito ligada aos meus objetos. Sempre depositei sobre as minhas coisas um valor sentimental exagerado. Eu fui uma criança, que embora tivesse amigos, gostava de brincar sozinha e meus brinquedos foram então não só brinquedos mas principalmente companhia. Talvez disso veio esse hábito de dar a objetos um valor mais significativo, não os associava ao que de fato são, mas principalmente ao que me faziam sentir.
Eu até acreditava que se viesse a ser uma mulher solteirona que mora sozinha (como supus a maior parte da minha vida) seria uma potencial acumuladora.
Porém a mudança de casa veio para que eu confrontasse os meus "xodós". Eu associava meus objetos ao bem estar que eles me traziam, as lembranças que representavam, ou ao visual mesmo, tudo coisas que sob minha ótica reforçavam minha história e personalidade. Eram o meu mundo!
Eu estava acostumada as minhas prateleiras com bibelôs, livros e penduricalhos. As minhas coleções, mesmo aquelas sem sentido, como uma caixa cheia de cartas que recebi  (a maioria quando era criança) de pessoas que talvez nem se lembrem mais de mim. 
Acho que notei um primeiro desconforto com isso quando meu marido, na época namorado, foi ao meu quarto pela primeira vez. Na época eu tinha um imenso mapa mundi numa das paredes do quarto, um crânio encima da comoda, e coisas bem "Aline". Me lembro da cara dele, do desconforto,  e dele questionar se eu precisava de tanta coisa assim pra que me sentisse bem.
Confesso que não recebi bem tal reação. O achei um tanto insensível. Fiquei mal e liguei a situação a algo pessoal (coisa tola que ainda faço). Não queria sufocar meu marido com minhas coisas, mas também não me sentia completa sem elas.
Ele é uma pessoa simples, que vive com o necessário. Depois constatei, que não só éramos muito diferentes, mas que somos na verdade opostos. Na casa dele não havia se quer um único objeto de decoração. Cores e móveis neutros e discretos. Nada em excesso, tudo funcional, prático. Inclusive julguei que era até "sem personalidade e sem graça demais". Ele é completamente desapegado, então eu realmente não podia esperar que ele visse as coisas como eu. Por isso notei que nesse assunto ambos ficávamos constrangidos. 
Foi ai que comecei a me sentir culpada por ter tanta "tranqueira", parecia depender de uma parcela dessas coisas para me sentir "eu".
Com o casamento se aproximando eu sabia que não teria como levar tudo. Então pra ajudar a me organizar pra mudança li um livro ótimo sobre organização chamado: A mágica da arrumação - Marie Kondo. Esse livro me fez repensar a importância excessiva que eu dava as coisas. Através disso comecei a praticar o desapego. Consegui me desfazer de diversos livros, brinquedos antigos, roupas, objetos e anotações. E foi uma sensação bacana, pois consegui abrir a mente sobre o assunto, Marie Kondo me ensinou a importância de saber avaliar se o que temos realmente é necessário ou se nos faz feliz. Até então tudo era associado a alguma fase ou emoção. Mas consegui aos poucos desvencilhar uma coisa da outra. De descartar, por exemplo, coisas que eu não gostava, mas mantinha por consideração a quem me presenteou. Ou de achar que eu precisava manter objetos que representavam algum momento especial, para que esse momento se mantivesse "vivo". Comecei a perceber o problema do meu bem estar estar associado/dependente de coisas.
Ainda assim foi só quando me mudei de fato que o impacto veio mais forte. Me mudei a prestação, e isso cooperou para que eu revisasse, em cada etapa, o que realmente ia trazer. Me sentia mal com o transtorno que seria trazer minhas coisas. A noção da vida mais compacta me pressionou a abrir mão das minhas coisas, e a vida de casada alavancou a necessidade de me livrar "do meu mundinho". 

Mas quando a mudança enfim acabou e eu consegui organizar minhas coisas, reparei que o "meu mundinho" agora se resumia num pequeno armário. Com bem menos coisas do que já tive. Fiz daquele armário a minha Nárnia, meu cantinho.
Eu confesso que infelizmente isso me deprimiu algumas vezes. Que em determinadas horas bateu uma tristeza ao olhar pro que restou. Me sentia perdida na nova casa, custei a me identificar, então o local onde guardei o que sobrou dos meus objetos de valor sentimental, virou meu refúgio.
Era a sensação de que, mesmo achando que eu era a pessoa que tinha coisas demais, ainda faltava alguma coisa.


Até retratei isso nesse desenho

E faltava algo mesmo: Maturidade e gratidão.

O triste disso não foi ter me desfeito das minhas coisas, mas a sensação de não haver espaço pros meus excessos, de me sentir reprimida, limitada. Infelizmente associei a nova fase, a principio, como uma ausência de mim, como uma inadequação. Misturei a situação com o que eu pensava ser.
Tanto estive acostumada a me expressar com a decoração, de me identificar com objetos e dar a eles algum significado, de exibir minhas extravagancias/peculiaridades, que ao perder essa referência eu me sentia reclusa, e ai corri o risco de me apegar ainda mais as coisas que me restaram.
Mas com o passar do tempo comecei a ser grata as coisas que eu tinha, e percebi a complexidade de associar felicidade com pose. Eu realmente ainda tenho muito o que trabalhar nessa área do apego (e não só de objetos), mas hoje enxergo o progresso que fiz. As vezes eu acho que exagerei na dose do desapego, no sentido de que eu estava deixando de me expressar por começar a considerar tudo como desnecessário, mas já vi que também não é por ai. Aos poucos vou buscando o equilíbrio e avaliando tudo com mais cautela.
E hoje percebo a importância de confrontar nossos hábitos, eu realmente acreditava que precisava de muita coisa pra ficar bem, isso também mostra que eu era muito controladora, as coisas tinham que ser do meu jeitinho, e nisso eu acabava insaciável, sempre criando condições para conseguir me sentir confortável. Agora balanceio essa ideia de me adaptar ao local e não só de adaptar o lugar a mim. Porque se fosse como antes, de ter sempre que adaptar o lugar, a insatisfação e a ingratidão ganhariam força. Então agora consigo ver que tudo foi imensamente necessário. É bom ter a oportunidade de viver uma experiência nova, de enfrentar desafios, e de aprender a ser livre das armadilhas que nós mesmos criamos.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Virando a página

O assunto de hoje é de algo pessoal, porém o foco é sobre APEGO e não só sobre o que desencadeava isso.

Eu desde criança tinha o hábito de escrever diários. E com o passar do tempo acumulei várias páginas com diversas histórias. E agora eu percebo o porquê relutei em me desfazer desses diários.
Uma das coisas que tem mais valor p mim na vida é a memória. Inconscientemente eu sempre estive tentando conservá-la de alguma forma.
Escrevia relatos e reflexões não só pra esclarecer as ideias, mas principalmente para tentar guardar o efeito das coisas sobre mim.
Semana passada na última viagem a casa dos meus pais para buscar minhas coisas, decidi me desfazer de meus diários. Que eu tinha desde de 2004 se não  me engano.
Essa transição me abalou, de abandonar algumas coisas, mas eu não identifiquei o motivo de imediato. Parecia ser o certo me livrar de historias passadas e a falta de espaço na nova casa tbm me fez abrir mão de muitas coisas e essa seria só mais uma delas.
Na medida do possível tava tudo bem. Eu estava angustiada mas não dei atenção.
Foi então que dias depois, organizando minha última remeça de livros, eu tive uma noção melhor do que se passava.
Abri um livro chamado "listografia", que é interativo, e numa das listas estava uma pergunta que dizia algo como: "se sua casa pegasse fogo o que você salvaria?" E a primeira coisa que escrevi foi: Meus Diários.
Foi aí que notei que ter me desfeito deles estava me incomodando, pois os associava com minha história. Era minha memória arquivada.
Disso tbm tirei conclusões como meu apego a coisas materiais (Que vou me aprofundar em outros posts) coisa que eu via como algo bom.
Mas os diários representavam pra mim uma chave de acesso pro passado. Sou nostálgica e isso piora as coisas. Quando me disfiz deles senti o alívio de não mais ficar presa ao passado. De não ter algo que precisasse esconder (por ser algo bem íntimo eu tinha vergonha que caísse nas mãos erradas) com eles se foram algumas memórias de fato, dificilmente me lembrarei de tudo que acontecia diariamente em todos os anos, mas é preciso lembrar que as memórias mais marcantes moldaram a Aline do presente e que eu não preciso saber todos os detalhes. Acho que o problema é aquele desejo de ser lembrada sabe? Talvez eu depositava nos diários um meio de acesso pra quando eu não estivesse mais por aqui. Tinha medo de ser esquecida, então deixei ali um meio pra que me encontrassem novamente.
(A doida que dá valor demais pra si mesma e um ego que quer viver além da vida).
Enfim entendi que não é porque algo tem valor pra mim que vai ter pros outros, mesmo pra aqueles mais próximos.

Uma outra coisa doida que me veio ao refletir sobre isso é que os diários tem uma ligação enorme com meu maior medo. Eu não tenho medo de morrer e aos poucos estou superando o medo de ser esquecida, pois com 7 bilhões de pessoas e mais gente vindo ao mundo, isso é inevitável, ainda mais pra alguém comum q não fez nada como Joana D'arc, Newton, Coco Chanel, Michael Jackson, etc.
Meu maior medo na verdade é de que eu perda a memória. Mais precisamente de ter Alzheimer, ou algum problema semelhante que me tire a sanidade e a memória. Ou voltar de um coma com amnésia.
Talvez isso me dava essa necessidade crônica de querer guardar memórias em algum canto. Para que se eu me esquecesse de quem eu sou pudesse ter um jeito de lembrar, ou dar esse acesso às pessoas próximas para q não se lembrassem de mim só como alguém sem memória.
Passei boa parte da vida montando uma biografia que agora está no lixo.
Ainda é dolorido, por ser insubstituível e pq depositei naqueles papéis muito valor sentimental, mas ao mesmo tempo sinto que me livrei de um apego enorme e desnecessário, que nesse impulso de jogar fora me fez encarar alguns fatos que eu não queria lhe dar.

O apego enfim mostrou-se como problema.
E me mudar de casa e de estado civil trouxe muitas outras mudanças que vou mencionando aqui.




segunda-feira, 14 de maio de 2018

Doida de pedra - o início


Um post aleatório, pois falar das coisas que eu gosto muitas vezes também é uma terapia.
E hoje vou falar um pouco de como comecei a gostar de cristais/pedras.

Quando eu era criança eu adorava caminhar olhando para o chão. Pois eu era muito boa em achar coisas. E eu também amava pedras, muitas vezes o formato ou a cor me faziam levá-las pra casa. Eu não sei exatamente o que me fez gostar de pedras, só sei que gosto delas desde cedo. E essa pedra preta eu achei enquanto brincava na parte de fora da igreja que frequentava com meus pais. Gostei por ser uma pedra lisa e preta, pois até então eu nunca havia visto uma pedra assim, coloquei ela no bolso e a levei para casa, com a sensação de ser algo precioso.
Depois foi a vez de trazer a pedra laranja e o cristal para casa. Meu pai ama aquários, e muitas vezes eu o acompanhava até os aquarismos, e numa dessas visitas haviam pedrinhas diversas num pote encima do balcão. Então enquanto meu pai via uns produtos eu fiquei ali olhando as pedras até que escolhi essas duas e o convenci de comprar pra mim. Eu não me lembro do preço, mas era algo bem baratinho. Eu porém as amei tanto que estão ai intactas até hoje.
As duas últimas, uma pedra esverdeada e uma pedra rosa clarinha, que suspeito ser um quartzo rosa bruto, foram pedras que achei mais recentemente. A pedra verde achei em 2015 quando voltava do trabalho de manhã. No meio do asfalto a pedra me chamou a atenção e acabei levando embora. No começo do mês comprei uma pulseira com vários cristais coloridos, onde cada cor representa um chacra, e a pedra verde é muito semelhante a essa que eu achei. Quando voltar a barraquinha onde costumo comprar as pedras vou questionar o vendedor, que é sempre atencioso, para ver se descubro qual pedra é essa, e também as demais.
[UPGRADE: Voltei a barraquinha e segundo o vendedor essa pedra verde é um jaspe, a laranja é uma cornalina e a preta é uma turmalina preta rolada]
Na foto a cor da pedra rosa quase não aparece, mas ela é linda, quando a achei, creio que também em 2015, era a época que eu pintava pedras, pois gostava dos formatos, ai usava uma tinta para colori-las ao meu gosto e fazia uns colares (ainda não tinha descoberto a barraquinha dos cristais, então eu "criava" os meus), mas quando achei essa pedra rosada não tive coragem de pintá-la e deixei ela junto das demais. Essas são algumas das pedras que eu mesma capturei por ai, não sei porque mas gosto de tê-las comigo. E bom esse foi o meu post sobre uma das minhas manias malucas. Colecionar pedras.

Acho importante as pessoas assumirem seus gostos peculiares e cultivá-los, isso nos conecta com nós mesmos, exploramos mais nosso potencial criativo, aquelas coisinhas que nos tornam únicos. Eu tenho alguns e não saberia viver os reprimindo, e muitas vezes lamento por não os explorar mais a fundo. Sei que são muitas vezes "ideias malucas", como carregar pedras rsrs, mas inexplicavelmente me faz bem. E isso deve importar muito mais do que ficar com receio do que irão pensar. Hobby's e gostos tão próprios são aquelas coisas que nos ligam a nossa essência.    


terça-feira, 8 de maio de 2018

Nem tudo são espinhos.




O que te faz bem?

Pra mim uma dessas coisas é a natureza, e eu deixo um pedaço dela pertinho de mim, com minhas plantinhas. Mexer com plantas é um antídoto pra mim, me acalma, me trás bem estar, é um passa tempo que me ajuda muito.
E a fotografia, também é algo que me trás bem estar, que me acalma, é minha forma de conexão com a arte, de expressar e dividir meu olhar criando imagens. E essa foto é a junção dessas duas paixões.
Cada vez mais eu vejo a importância de dedicar um tempo para essas coisinhas simples que me fazem bem, pois disso nasce a gratidão e com ela vem tantas outras coisas boas.

Então numa manhã normal sai para regar as plantas e achei tão poético ver essa sementinha de dente de leão presa aos espinhos do meu cactos, pois pra mim é a fusão do delicado com o bruto. Os risquinhos brancos da sementinha semelhante aos espinhos, porém tão diferentes. É uma contradição.

Sou grata por ter um olhar que capta as coisas simples e as converte em sorriso, sou grata por saber contemplar as coisas e fazer disso um momento especial.

sábado, 5 de maio de 2018

O segundo desafio - may the 4th be with me

Hoje foi dia de tentar o ballet adulto. Eu ainda estou MUITO dolorida da aula de kung fu, o que foi avisado, mas mesmo nessas condições eu quis experimentar algo novo.
No post anterior mencionei que já tive problemas fazendo dança antes e isso me deixou apreensiva. Porém a aula de hoje foi bem positiva. Eu sou mesmo descordenada, mas.ainda assim a aula de balé foi bem proveitosa.
Vou começar com algo imprevisto. Ao chegar no estúdio de dança e me olhar naqueles espelhos enormes, ver como meu corpo de movimenta e estudar melhor minha postura, cheguei numa conclusão: preciso mesmo engordar! A finura do meu braço me incomodou demais. Coisa que eu andava ignorando, mas que definitivamente não tá bonito. Gosto de ser magra, mas esse aspecto esquelético dá pra ser melhorado e será.
Bom agora falando mais sobre a aula mesmo, eu gostei, foi bom que de alunas éramos eu e mais uma moça, então a professora dá uma atenção bem especial. Percebi que minhas maiores dificuldades são: postura e acompanhar os passos. Igualmente como foi no kung fu, demoro pra conseguir realizar instruções em sequência. Confesso que isso é bem desanimador e dá aquela impressão de que eu sou o tipo de pessoa que atrasaria a turma. Mas não sei ao certo, pois sou muito exigente comigo e nem sempre respeito meu tempo de aprendizado. Porém quanto mais difícil é lhe dar com essa frustração mais vejo que tenho mesmo é que insistir pra melhorar isso e me colocar sob pressão. Eu preciso aprender a ser determinada e não ficar me jogando pra baixo por não alcançar minhas expectativas, sem me dar uma chance e me empenhar pra valer. É um passo de cada vez, e eu tropeço pois sempre quero ir rápido demais.
Bom o positivo é que hoje eu estava mais tranquila sobre errar, e olha que errei muito. Creio que o espelho me ajudou bastante a ver o que faço de errado e me estimula a tentar de novo. No kung fu se tivesse um espelho desse ajudaria também pq uma das coisas que me frusta é errar e não descobrir quando começa o erro.
É não dá pra negar que o domínio dos movimentos do corpo não é meu forte. Mas senti na pele a importância de se desafiar a pisar fora da zona de conforto. Só fico com receio de insistir em algo que eu ache até legal, mas que não combine comigo. Pois também não quero me dedicar e no fim perder tempo.
Eu sei que se eu fizesse ioga/pilates possivelmente me sairia melhor do que num balé ou kung fu, pois das opções
são o que meu corpo responde melhor, e também por me identificar, porém não sairia tanto da zona de conforto. Naturalmente eu escolheria o mais fácil pra evitar a frustração. Alinices. Coisa feia.
Voltando ao desempenho da aula, balé cansa, mas não chega nem perto da canseira do kung fu. Achei tranquilo até. Mesmo dolorida consegui cumprir com o proposto e sinto que depois da aula sai até com o corpo melhor. É uma opção maravilhosa, e tem o benefício de não ser tão desgastante, o que não me deixaria ainda mais magra, coisa que me preocupa com relação ao kung fu.
Achei muito bom poder testar essas duas ideias de atividades, pois pude ver o quanto algo assim é necessário pra mim e o bacana é que não são monótonas e exigem um compromisso a longo prazo. Ambos tem aspectos úteis pro meu crescimento. Por isso vai ser muito difícil me decidir. Mas já sou muito grata por simplesmente ter aprendido tanto só por me propor a experimentar. Por fazer algo diferente e por finalmente dar importância a coisas que eu gosto mas simplesmente julgava "bobagem". Só esse despertar já fez tudo valer a pena. E meu Conselho é que TODO MUNDO devia arriscar de tentar fazer algo que goste, algo diferente, algo que te represente e/ou te desafie. Pois isso enriquece a vida e só nos faz bem.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

O primeiro desafio.

Num dos posts anteriores eu mencionei algumas coisas que queria tentar fazer para gastar energia, pois creio que isso me ajudaria a ter uma vida mais equilibrada.
Então semana passada tomei a iniciativa de correr atrás e experimentar algumas coisas das quais me interesso, unindo o útil ao agradável.
Com certo nervosismo e vergonha, criei coragem e hoje fiz uma aula experimental de Kung Fu.
Foi uma experiência muito interessante, ainda mais porque foi uma das coisas mais diferentes que já fiz. Nunca pratiquei NADA de artes marciais, e acho que foi um bom inicio.
Pra começar só os alongamentos são extremamente puxados (e olha que sou flexível) trabalham muito respiração, força, flexibilidade e concentração.
Das atividades que já pratiquei, [dança, pilates, cinesioterapia. (Obs: nada disso foi praticado por longos períodos, dança foi brevemente na infância, pilates algumas aulas apenas e a cinesio eram os alongamentos no meu antigo trabalho que duravam 10min 2x na semana)] nenhum alongamento foi mais intenso que o do kung fu. Também pudera, ao aprender os primeiros movimentos você nota que vai exigir bastante do corpo então é bom já deixá-lo preparado. É uma ótima atividade para gasto de energia (meu objetivo), mas também tem muitas outras funções, algumas são belos bônus.
Durante a aula eu fui assombrada por alguns "fantasmas", velhos conhecidos meus.
A vergonha/Insegurança: Expor minha falta de habilidade em público me deixa desconfortável, e isso me retraí. Estar num novo ambiente, conviver com novas pessoas, ah isso é complicado, mas na medida do possível tentei ser sociável, mas também confesso que não dei o meu melhor, pois ao temer o julgamento alheio, perdi o foco em certos momentos. É a velha sensação de "eu poderia ter me saído melhor se ignorasse o que os outros vão pensar". Isso também me atrapalhou ano passado, quando fiz treinamento para brigadista. Em algumas coisas me sai bem, mas é só eu me sentir perdida ou vulnerável que ai eu perco o embalo/foco. Fico na espera de que haja mais explicações ou alguma ajuda, quando algumas situações exigem que você tenha iniciativa e se arrisque, mesmo que seja da forma errada, pois é ai que você é advertido e aprende. Mas meu orgulho muitas vezes me sabota, ai eu me coloco em posições mais favoráveis/covardes, para não ter de enfrentar as situações que me deixam assim com medo de errar. Porém o kung fu é tão interessante que é uma ótima forma de trabalhar isso.
A falta de concentração: Eu tenho dificuldade de memorizar as coisas rápido. E kung fu são movimentos sequenciais, então eu me perdia facilmente, mal captava o primeiro movimento e já tinha que seguir pros próximos. Isso me mostrou da forma mais clara possível o quanto é preciso aquietar a mente, pra mim observar, absorver e reproduzir os movimentos. Pra isso é necessário muita atenção. Mas minha cabeça fica berrando: "Puta merda que difícil!", "acho que não vou conseguir", "aah droga não to acompanhando". "Porcaria ta todo mundo vendo esse fiasco" e ai ao invés de me concentrar no que estou vendo, acabo me atrapalhando por ouvir as minhocas na minha cabeça e não o mestre. De sorte que o mestre é paciente e o pessoal lá respeitoso. E refletindo depois isso é algo que sempre me ocorreu. Quando fiz dança na infância, algumas vezes a jovem que nos ensinava perdeu a cabeça comigo, já que nem sempre eu acompanhava. Num desses dias em especial ela parou a aula, desligou o som e gritou comigo na frente das meninas. Reconheço que não era um passo difícil, não exigia muita habilidade, porém eu não tinha compreendido e isso se refletiu na minha falta de coordenação. Acho que por eu errar em algo "fácil" fez ela perder a cabeça achando que eu estava fazendo pouco caso, como se fosse desleixo. Foi algo bem chato, tanto que ela encerrou a aula antes da hora e umas meninas vieram ver se eu tava bem. De certa forma acho que desencadeou esse meu medo de não acompanhar as instruções, ai me sinto um lixo quando "sou devagar pra aprender", já pensei ter déficit de atenção devido a isso. No pilates eu tinha dificuldade de acertar algumas posições, porém creio que isso dentro do normal, nada que uns toques do instrutor não corrigissem. E lá eu tinha foco, me concentrando apenas no que eu devia fazer. O que me mostrou que é uma questão de estar aberto a errar, e que JAMAIS deve se comparar aos outros, cada um tem suas limitações. Coisa que vivo esquecendo. Mas que reforçarei pra me lembrar.
Concentração é um ponto fraco meu e justamente por isso creio que uma atividade assim seria benéfica. Pois eu iria trabalhar o que geralmente acaba me fazendo desistir/desanimar das coisas. No kung fu eu teria que trabalhar essa área, já que o aprendizado depende disso.
Justificar meus erros: Caramba como isso é irritante. Eu parecia o Dre, o molequinho do karatê kid, o filme mais recente com Jack Chan, quando ele fica reclamando ao invés de se calar e aprender. Tipo não que eu reclamei, mas ao notar que eu estava fazendo algo errado eu falava "sou ruim pra memorizar". Independente da dificuldade, ficar repetindo/justificando o porque de errar não me ajuda em nada. Não é preciso se desculpar a todo tempo por errar, é um processo de aprendizado, isso faz parte. É bom ter noção do que te atrapalha, mas é necessário passar por cima e não esbarrar nisso. Enfim, na aula mesmo me toquei disso e já tentei mudar a postura.

Eu sai feliz, realizada e bem cansada rsrs, foi mais legal do que eu esperava, fiquei desapontada comigo mesma por não desenvolver como eu gostaria, mas é preciso lembrar que é minha primeira vez, não fosse as neuras da minha cabeça teria sido perfeito. E nossa eu aprendi tanto sobre mim mesma, analisando melhor a situação e vendo o que dá pra melhorar, e estar numa atividade nova me fez ver muita coisa.

Sexta-feira agora é dia de experimentar o Ballet Adulto. Estão bem animada também, acho que o mais difícil vai ser depois ter de optar por apenas uma dessas atividades. 

O poder do papel em branco

Fiz um post falando que desenhar me ajudou num dia de crise de choro. Hoje o post também é sobre como desenhar me ajuda de outras formas.

Muitas vezes é o papel em branco, um lápis/caneta e eu e disso vem alguma ideia e o desafio de traduzi-la no papel. Há dias eu tava com a ideia de fazer um desenho onde uma garota fazia malabares, mas ao invés de bolinhas seriam planetas. O significado é algo como ter o mundo nas nossas mãos, o que reforça a importância do equilíbrio, sempre sob risco de deixar a bola cair. Ou de estar com a cabeça na lua, pois a ideia também era fazer a menina do desenho olhar para lua. Ou ainda da mente(cabeça) ser o centro do universo, coisa que parei pra pensar agora rsrs. Fora as demais interpretações que quem observa de fora pode ter, o que é legal também.
Eu não tenho muita habilidade, pois nunca levei os desenhos muito a sério e as vezes passo longos períodos sem fazer nada. É mais teimosia que habilidade. E foi um enorme desafio tentar passar a ideia pro papel, errei várias vezes, ai eu vou e recomeço, pauso para estudar a pose, tiro foto pra usar de referencia, volto pro papel, erro algumas vezes até chegar perto do que preciso, as vezes consigo fazer um desenho de primeira, as vezes leva várias tentativas, e nesse devo ter feito umas 8 ou mais. Fora o estudo das mãos, já que era algo que eu não desenhava há tempos e que sempre foi uma dificuldade, queria deixar aceitável ao menos. E eu pretendia criar um desenho simples, mas deu trabalho. Mas cara essa as vezes é a melhor parte.
A princípio eu faria uma menina com nariz de palhaço e a bolinha desse nariz se fundiria com os planetas nesse malabares. Ai errando uma coisa aqui outra ali, quando olhava uma tentativa fracassada vinha dela uma ideia nova, o erro se tornou um processo criativo. As últimas tentativas vieram com um novo elemento, haveria uma "bola" perto de onde é o coração, e ali ficaria algo que representasse um buraco, que também poderia ser visto apenas como uma lua minguante/crescente. E no lado oposto ficaria uma outra lua que representaria o inverso, como se uma completasse a outra (uma espécie de yin yang) e a menina estaria olhando essa outra metade. O Sol ficaria entre essas duas metades de lua, simbolizando a iluminação. Desisti do nariz de palhaço pois ai se tornou algo mais puxado pra uma forma de expressar espiritualidade e crescimento pessoal e o nariz não encaixava mais de forma legal.
Esse tipo de coisa, de errar num desenho e das tentativas nascer uma ideia nova é algo que já me aconteceu muitas vezes e é essa explosão de ideias que me faz gostar de desenhar, gosto de já ter uma ideia e tentar colocá-la no papel, mas amo ainda mais quando vão vindo ideias novas no processo. Desenhar inconscientemente é uma forma que expande minha mente, através da criatividade. Eu sempre curti fazer uns rabiscos, mas eu estava enjoada de fazer desenhos sem proposito, tipo desenhar rostos femininos bonitinhos, mas sem ter um significado. E de um mês pra cá não me faltaram ideias pra desenhar e ideias que vinham de algo que eu vivi ou quero viver, algo pessoal  e significativo mesmo e fico muito feliz com isso, pois inspiração é uma das coisas que eu mais amo e que estava me faltando. Eu amei esse desenho, pois ele acabou tendo todo um significado e um processo especial pra mim. Tá longe de estar perfeito mas eu gostei muito de ter conseguido finalizar, e quem sabe eu não continue tentando melhorá-lo e disso nasçam mais ideias.

Essas foram algumas tentativas que cheguei a finalizar. A da moça de black eu
mudei de ideia por não gostar da pose das mãos e ali a ideia também era deixar o Sol
no topo. A outra eu achei que ficou cabeçuda e ainda não estava feliz com as mãos,
e foi dessa tentativa que nasceua ideia de acrescentar a lua/buraco no peito.

Essa foi a versão final, dei uma corrigida bem simples no photoshop
pq como fiz de caneta dei uma cagadinha. Ainda tem uns errinhos
talvez com um pouco de paciência eu digitalize e corrija tudo.
Foi a primeira vez que tentei descrever o processo criativo e o significado de elementos do desenho. É uma delícia poder se expressar através de uns rabiscos, espero poder postar mais vezes sobre isso.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

DEScontroladaMENTE

Numa breve pesquisa sobre descontrole emocional eu cai em um Site que me deu uma luz.
Onde dizia que não podemos mudar os acontecimentos, mas sim a forma como reagimos, também não podemos controlar: o tempo, o passado e os outros.
Eu observei que a origem do meu descontrole é a mania de querer controlar o que está além do meu alcance, e não saber controlar meus pensamentos, emoções e ações. Quero moldar as coisas externas ao invés de me render a mudança. Essa resistência só torna tudo mais difícil.
Quero que os outros sejam mais rápidos, enquanto na verdade eu deveria torna-me mais paciente.
Quero que fulano me entenda, mas não mostro disposição para entender o outro.
Quero que as coisas sejam como antes, ao invés de aceitar que as coisas mudam.

As vezes convivo com pessoas que tem o mesmo defeito que eu. Usarei como exemplo a preguiça. Vendo de fora isso me irrita, diferente do que acontece quando o mesmo erro parte de mim, pois o justifico e o amenizo até ser "aceitável". Agora se vejo isso em alguém começo a criticar a pessoa, de forma que eu quero controlar tal defeito no outro, pois ai parece ser algo tão simples de resolver! As vezes faço isso achando que "estou ajudando". Ai acabo sendo hipócrita, pois é muito mais fácil acusar, do que me mudar.

Lição simples porém necessária. 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Chororô

Dias atrás eu tive uma crise de choro. Não sei se já mencionei aqui, mas isso é algo que se tornou comum. Virei uma chorona. Em busca do motivo cheguei em algumas conclusões. Meu choro é uma forma passiva de demonstrar raiva/tristeza. Se não explodo: choro. É também minha forma de me consolar quando sou tomada pelo drama, ou de me punir quando me culpo. Choro porque meu ego ferido faz eu me magoar com pouco. Choro de vergonha depois de falar mais do que devia. Virou uma reação padrão. Isso mostra que tem algo desregulado. (isso é inclusive um dos tópicos pra uma futura consulta ao psicólogo). Esse é um problema diferente, pois a maioria das coisas com as quais luto são coisas que eu sempre tive, isso porém é relativamente novo. Não sei se a pressão de ter um relacionamento cooperou (lembrando que meu relacionamento é bom, mas o fato de eu ter dificuldade em ser contrariada e não estar no meu melhor é que complica). Seja como for tem me preocupado. Porque eu sei que não sou assim, porque consigo sentir que meu emocional tá tão fragilizado que as lágrimas brotam antes mesmo de eu conseguir refletir. É um choro precipitado, é uma angustia que toma conta de mim, sinceramente eu não sei como isso surgiu.
Porém uma descoberta recente me fez ter esperança.

Numa dessas crises de choro eu tentava usar pensamentos positivos pra reverter a situação e nem isso funcionava, aliás o que mais me irrita nisso é que não tenho controle, uma vez que começo a chorar me custa muito pra parar. Eu estava muito inquieta para meditar, então nem cogitei. Até que num belo dia, eu ainda irritada e chorando peguei o lápis e o papel e passei a desenhar, o resultado foi esse ao lado. Fiz direto com a caneta, uma unipin. Riscando o papel na tentativa de transmitir minha raiva e tristeza, quando me dei conta em menos de cinco minutos o choro cessou. Depois ao pensar sobre isso me lembrei de certas coisas que exigem minha concentração e que descongestionam a mente. Fazer malabarismo também me deixa em "transe" assim com desenhar, e fazer certos artesanatos também. A concentração me desliga do que causa o choro. E nossa como fiquei aliviada ao me dar conta de que há uma válvula de escape. Ok, o problema não é só interromper o choro, mas principalmente impedi-lo de acontecer, já que é desproporcional, porém é um progresso que fiz por acaso. Vou usar a mesma estratégia pra quando ficar com pensamentos negativos, ou raiva.
Esta semana eu estou mais zelosa com o que se passa na minha cabeça. Tô tentando reconhecer meus humores, e pensamentos. Então até aqui sei que estou bem, gostaria que isso também refletisse em conseguir dominar esse choro compulsivo. Vamos ver os próximos capítulos.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Um pasito pra trás

Sábado passado eu tive uma recaída. É duro quando você se esforça pra melhorar e em questão de minutos põe todos os dias de esforço "no lixo". O pior é que isso é algo que de tempos em tempos deixo acontecer, e o que me preocupa é quando a frequências desses "surtos" aumentam.

Foi por falta de atenção, de não refletir, de não praticar coisas que eu sei que tenho de fazer.

Eu reprimo minha irritabilidade (que é frequente e vem por coisas minimas) numa falsa ideia de controle. Isso porque não tenho o hábito de questionar o meu humor (que oscila muito), e de tempo em tempo avaliar os meus pensamentos (neuroses), e ai quando a coisa desanda é porque já tava tudo conturbado na cabeça. Ai mesmo não estando bem, me engano fingindo estar, pois não me atento ao que realmente estou sentido, me atento somente ao que quero transparecer (eis o perigo) ai me torno uma passiva-agressiva. Achando que tá tudo certo.
Mas ai chega um ponto em que eu explodo por motivos bem banais. A minha interpretação equivocada é o que empurra essa bola de neve ladeira abaixo. É como se eu caçasse um motivo pra justificar a raiva que preciso por pra fora. E ai creio que eu interpreto as coisas distorcidamente e forço mais a situação.
O que agrava, é que quando chego nesse ponto sou agressiva, rude, injusta, indiferente, sarcástica e NÃO PENSO, culpo a pessoa pelo meu descontrole (eis o absurdo). Acabo sentindo prazer em ser mal porque essa é minha forma de "descarregar a raiva" na pessoa que "fez por merecer", jogando meu ódio pra cima de quem me contrariar, criticar, ou der liberdade para minhas interpretações equivocadas.
Ninguém merece viver com essas inconstâncias, e ficar se afogando em tempestades em copos d'água. Eu acho que por ter uma vaga noção de como sou descontrolada, eu jamais achei que teria um relacionamento duradouro.

Reconheço, sempre tardiamente, mas reconheço alguns erros meus nisso tudo.
    I- Ficar mais atenta ao meu humor e administrar meus pensamentos constantemente. Para eliminar os exageros e neuroses, e também ser honesta comigo admitindo que tolerância e repressão são coisas diferentes;
    II- Não reprimir emoções, mas também não forçar situações, ou interpretar como bem entendo, para que eu as expresse de forma grosseira e desproporcional;
    III-  Assumir as minhas responsabilidades ao invés de querer culpar os outros como ocasionadores do meu descontrole/sofrimento. Lembrar que eu permito que tais coisas me desequilibrem, que não preciso levar a sério tudo que escuto/interpreto/penso, que posso sim reverter isso somente com uma visão mais clara;
    IV - Não deixar meu ego tomar conta de mim. É isso que faz eu sentir prazer em ser rude, é o combustível das minhas explosões. Esse sentimento de precisar "colocar a pessoa no devido lugar", quando na verdade sou eu que estou fora de mim.
    V - Trabalhar para que a vergonha que me vêm depois de tais retrocessos não me convençam de que todo pequeno progresso foi em vão. Reconhecer que se eu errei é porque ainda tinha algo a aprender e que o transtorno foi necessário para que isso se desencadeasse. Mas não me conformar de errar nas mesmas coisas.

Eu convivi com pessoas que tinham muitos problemas parecidos com os meus, e isso me assustou, mas me ajudou. Passei a ser mais compreensiva, pois entendia partes do processo que leva a pessoa a agir assim. Então não as julgava, o que me fez aprender a ser paciente e não levar pro pessoal. Passei a ver o quanto tal descontrole cega as pessoas. Porque ver de fora te faz ter a noção do quanto as pessoas se deixam afetar por coisas que na verdade só estão na cabeça delas.

Eu só quero estar de bem comigo mesma, não quero ser perfeita, mas quero ao menos administrar melhor o que se passa na minha cabeça pra poder ser alguém simples. Porque toda essa complicação cansa.  

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Pequenos passos já te tiram do mesmo lugar.

Lavar a louça é sempre um momento de reflexão pra mim. E ontem enquanto pensava em formas de praticar a gratidão, ou em pequenas atitudes que ajudam no bem estar, cheguei a algumas conclusões.

Eu sou impaciente e exigente. E ai me frusto com facilidade por não admitir que no processo de aprendizagem ter compaixão de si mesmo é bem importante.
Ex. Eu estou aprendendo a cozinhar somente agora. E eu me cobro ignorando que é só pela prática que vou me aperfeiçoar. Dai eu espero de mim um resultado incompatível com minha habilidade. Tem que ser um passo de cada vez, mas eu quero ser boa logo de cara, quero ser como quem já faz isso há anos, mesmo quando não me esforço o suficiente para ter lógica tal expectativa.
E essa falta de compreensão causa um desanimo precipitado. E isso atrapalha qualquer aprendizado. Ao perceber isso passei a tentar comemorar as coisas por etapas ao invés de só considerar o final.
Notei que precisava eu mesma me dar incentivos e apoio e não ficar esperando que o fizessem por mim. Ter a humildade de reconhecer as falhas e os pequenos acertos e rir de mim mesma quando der errado, com a satisfação de ao menos tentar e querer aprender com o erro.
Saber comemorar as pequenas vitórias e vibrar com cada passo dado é uma ótima maneira de gerar gratidão, de ser feliz com pouco. São coisas "bobas" que deixam as dificuldades mais leves.
É importante ver as coisas de forma fragmentada, por isso criar metas é importante. Cada meta atingida te deixa mais perto do objetivo. Não espere até que o objetivo seja alcançado pra ser feliz. Seja feliz a cada meta/etapa e as coisas que vão se somando. Seja grato pelos erros que te ajudam a se aperfeiçoar. Não deixe sua felicidade depender do futuro ou vê-la só como a recompensa final. É no caminho que deve achá-la. Seja grato pelo pouco que realiza. Some pequenas realizações ao invés de decepções, e a gratidão estará sempre ao seu lado durante sua jornada.


terça-feira, 10 de abril de 2018

Insatisfação x Gratidão

Insatisfação:

Aquele mal que me acomete sempre que olho para as diversas possibilidades e me encontro em uma que não é exatamente a melhor das opções. Ou a que idealizei.
Exemplos do que me ocorre atualmente:
Ex1: Eu estava insatisfeita com minha vida sem tempo. Passava 14hrs fora de casa, entre percurso e trabalho, passava por 4 cidades, pegava 3 ônibus. Trabalhava numa profissão que eu não me realizava, chegava tarde e esgotada em casa, atrapalhava meu relacionamento e estudos, me sugava as energias e o pouco tempo que me restava. Porém adorava a companhia das amigas no trabalho e do senso de utilidade por trabalhar.
Ex2: Consegui ser mandada embora. Agora estava insatisfeita com o tédio. Tinha mais tempo livre, porém agora isso também implica em ter novos afazeres, tarefas das quais não sou boa e nem gosto de fazer, mas que faço já que são obrigações. Passo muito tempo sozinha, fico mais preocupada com a renda, e agora tenho preguiça, já que me sinto inútil. Porém consigo fazer algumas coisas que gosto e tenho mais tempo para os estudos/relacionamento.

Este é o cenário. Parece que em cada situação naturalmente meu foco vai para as coisas que me incomodam, que pesam, que me deixam insatisfeita. Porque parece que sempre falta algo, que nada é exatamente como eu gostaria que fosse.
Claro que quando possível tento melhorar o cenário, para tornar a situação menos penosa, mas como eu não cansarei de mencionar, já que isso é um processo e estou no inicio, EU SOU FRACA.
Eu reclamo, me entristeço, choro, fico emburrada e dou chilique. Imatura, sim infelizmente.
O erro começa por não aceitar a minha falta de controle sobre a situação, e claro por criar expectativas.
Mas não são as situações que precisam mudar, mas meu modo de reagir a elas. Pois sobre isso sim eu tenho controle.

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Gratidão

Aquele momento em que reconheço as coisas maravilhosas que vivencio, ou que ocorrem com as pessoas que amo, quando me sinto em paz, leve e agradeço ao universo, pois me sinto conectada a algo maior.

Fico realmente feliz com coisas simples, mas deixo que o efeito disso dure menos que o da insatisfação. E quando notei isso comecei a me preocupar.
Eu já cheguei a fazer um caderninho onde listava diariamente as coisas pelas quais eu era grata no dia. Porém tenho certeza que se fizesse o mesmo das coisas pelas quais eu reclamaria, a lista seria bem maior.

Não consigo simplesmente ignorar aquilo que me incomoda. Mas sei que esqueço aquilo que me fez bem. E essa é uma combinação bem perigosa. O problema não é só a insatisfação, mas a desproporção.

Gratidão depende do quanto você está disposto a ver o lado bom, a aceitar que nada é perfeito, de ficar bem apesar das dificuldades, das expectativas frustradas, injustiças e carências. Gratidão é criar uma brecha para que a paz possa entrar. É saber sentir amor pela vida. A gratidão tem de ser real e ocupar um espaço cada vez maior. E o difícil é fazer as coisas simples ganharem tal proporção. Pois para sermos gratos queremos ter bons motivos, ou criar condições ou depender de vários acontecimentos, mas a verdadeira gratidão é aquela capaz de gerar nos detalhes a imensidão. É aquela que faz seu coração vibrar, capaz de nos ensinar com a simplicidade. E isso se constrói, isso se pratica. É só estar disposto a reconhecer, que existe algo acima dos problemas.

Um dos meus pontos de paz é a natureza. Quando paro para observá-la me rendo a sua beleza, complexidade e dimensão, me sinto privilegiada por poder apreciá-la e ai sou acalorada pela gratidão. A consciência também me faz ser grata, me ensina, me aperfeiçoa. Existem diversas coisas que desencadeiam isso em mim, eu só preciso observá-las. Eu só preciso sentir. E ai naturalmente as insatisfações perdem sua força.

Aprender a ser grato, é dar a vida o valor que ela merece.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Pensamentos: a raiz do problema.

"As suas emoções são escravas dos seus pensamentos, e você é escravo das suas emoções"
- Comer Rezar e Amar.

Facilmente deixo meus pensamentos atrapalharem minha vida, porque permito que minha mente seja contaminada por eles.
Parecia até que eu colecionava as minhocas que se acumulavam na minha cabeça. Ao invés de querer eliminá-las eu ia acrescentando umas novas, quando as antigas me cansavam, não é a toa que ficava com a cabeça cheia.
É difícil reconhecer quando um pensamento destrutivo começa a ganhar espaço, pois eu sou o tipo de pessoa neurótica que se apega a teorias do caos, que sente segurança no pessimismo, que se acusa/maltrata como forma de auto punição. É um tipo de masoquismo emocional. É como se minha zona de conforto fosse no sentimentalismo. Porque as vezes até a dor acha um jeito de ser confortável.

Meu ego gosta é de ver o circo pegar fogo, ai sou tomada pela impulsividade que acaba gerando a raiva. Depois fico com vergonha, por ter me excedido, por fim, acabo me punindo mentalmente por ter feito tudo errado. E nesse ciclo meus pensamentos só me desgastam.
Cuidar dos pensamentos é uma tarefa diária, policiar o que invade a mente é fundamental. Por anos eu fiquei presa aos meus pensamentos, pois não tentava cessá-los, nem mesmo sabia que tinha esse poder. Apenas me deixava ser conduzida pelas emoções que deles surgiam. Mas ler coisas como Osho me mostraram que tenho como mudar isso. Que só preciso me conhecer e estar atenta, pois a sensibilidade se desenvolve com a consciência, e estando consciente há como reconhecer aquilo que não merece atenção. Procuro questionar o que me levou a tal pensamento, como ele me afeta, que tipo de emoções eles causam, se estão de acordo com a pessoa que quero ser.
Não existe uma receita, você só precisa investigar aquilo que está dentro de você.

Meu caso: Alguém me diz algo e eu fico com raiva. Começo a questionar: "por que estou com raiva?" Disso vem uma resposta e depois disso vem novas perguntas, que me levam a perceber, que eu não estava com raiva pelo que a pessoa me disse, nem da pessoa em si, mas simplesmente porque eu tenho dificuldade de ser contrariada.
Porém é difícil reconhecer isso, pois os primeiros pensamentos nos levam a por a culpa sempre nos outros ou nas situações. É ai que a consciência tem de entrar em cena para separar as coisas.

Porque por mais que a Aline revire os olhos pro positivismo utópico, é necessário admitir que ser otimista torna as coisas mais leves. Dá pra reconhecer as falhas sem ser esmagado pelo perfeccionismo. Dá para achar alternativas. Mas pra isso é preciso exercitar a consciência.

Mudar a forma de pensar pode mudar a forma de se viver, e isso é uma das coisas, que quando meu ego não me atrapalha, eu tento praticar.