terça-feira, 21 de agosto de 2018

O livro das emoções

Eu sou uma cliente assídua de um sebo em Jundiaí, e numa das minhas visitas garimpei um tesouro. Costumo dizer que são os livros que me escolhem, e o livro que leva o título do post, me achou na hora certa.
Escrito por Bel Cesar, O livro das emoções - reflexões inspiradas na psicologia do Budismo Tibetano, é até aqui o livro mais construtivo que já li.
Nessa jornada de autodescobertas e busca espiritual esse livro está sendo meu alicerce. Com linguagem simples e objetiva, o aprendizado flui, e o interesse só aumenta. Os temas são abrangentes e tem sempre algo a se aprofundar, é um livro que serve de lupa para vermos os detalhes nas dificuldades que enfrentamos e mostra que já temos as ferramentas que precisamos e ensina como usá-las.
Por isso mesmo considero ele um "livro denso", tem tantas lições, que pra absorver tudo minha leitura é mais lenta. E crio pausas para digerir cada coisa que o livro estimula a explorar.
Nunca grifei páginas de um livro com tamanha frequência. Entre coisas que me servem de lembrete, outras que me identifico, algumas dignas de várias reflexões, meu livro está cheio de frases sublinhadas.
Um livro que ajuda na auto estima, na percepção das coisas, no autodesenvolvimento e também mostra como o budismo cria caminhos para tornar tudo isso possível.
É minha leitura preferida, embora nem sempre é fácil, pois o livro também nos faz confrontar aquelas coisas que insistimos em ignorar ou que tememos tocar. Mas é tudo tão  absurdamente necessário que é encorajador.
Sou muito grata pela sorte de ter acesso a esse belo trabalho. Pois este livro é o que mais tem me ajudado. Já li coisas que me ajudaram muito, como Osho, mas vejo no Livro das Emoções uma enciclopédia da vida, um guia da auto descoberta e um suporte a autoestima. E eu que estava apenas curiosa para aprender sobre o Budismo Tibetano acabei nisso aprendendo mais sobre mim, sobre a vida, e fez só aumentar minha admiração ao budismo.
O livro das emoções me gerou aquele desconforto necessário para o autoconfronto. Ele não me trouxe soluções mágicas, mas me convidou a criar condições para melhorar minha vida. Aos poucos vou postar mais sobre o livro, separando por temas para não ficar extenso demais.


Conhece-te a ti mesmo.

Na jornada pelo autoconhecimento percebi o quão fundamental é caminhar com as próprias pernas. Eu sei que em meio as aflições as vezes buscamos auxílio, e queremos um atalho para alcançar as soluções. Há inúmeras formas de facilitar nossa jornada, seja por meio de leitura, de um guia espiritual, de terapias, palestras ou conselhos de amigos. Muitas vezes precisamos que alguém nos dê um empurrãozinho. Porém se deperdermos disso acabamos usando a ajuda como um andador, e ao invés de nos fortalecermos ficamos debilitados, ao invés de sermos independentes ficamos presos numa ideia equivocada. Uma coisa é precisar de apoio, outra é achar que sem ele não conseguimos sair do lugar. O principal deve sempre partir de nós. Pois a parte mais importante da jornada é aquela em que você entra em solo desconhecido e abre caminho, cria a sua trilha, e não perde tempo parado esperando por um guia/mapa, ou caçando uma rota já percorrida.
O que notei é que nossa esperança acaba tendo um foco equivocado. Esperamos por algo pronto, algo que funcione como um manual. E assim esquecemos que o auxílio externo é uma ferramenta e não uma solução. Muitas vezes por estarmos frágeis nos julgamos incapazes, porém a ajuda é como uma mão estendida, ela nos ajuda a levantar, mas também precisamos fazer força para nos erguermos. É fundamental a autenticidade e interesse individual nessa busca. Não se esprema em moldes preestabelecidos, pois isso pode gerar uma frustração crônica, de querer ser um modelo que você se impôs ao invés de ser sua melhor versão. Não se condene ou se compare, a sua jornada é diferente da dos outros.
Não espere que os outros te deem as respostas que na verdade cabe a você descobrir. Se questione, as vezes o que você busca é o que deu certo pra alguém, mas isso não quer dizer que vai ser o que é o certo para você. Não deixe que a busca pelo aprimoramento seja enfraquecida por expectativas que te distanciam do real objetivo. Analise até mesmo suas motivações.
Se você sempre precisar ouvir dos outros uma direção, não terá como ouvir o que sua voz interior tem a lhe dizer, não irá se familiarizar com seu próprio poder de escolha. Antes de recorrer a alguém tire um tempo para você, respire, repense a situação, não seja duro consigo mesmo a ponto de perder a lição se impondo punições. Se abra, se apoie, e lembre que o objetivo não é ser perfeito, mas sim se conhecer cada vez mais, pois se conhecendo você sabe o que precisa fazer para evoluir.