segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Reflexões aleatórias III

Chorar não é fraqueza, mas também não é solução.
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A solução em três letras.

Estive tendo uns dias difíceis. Me veio uma tristeza e angustia muito forte semana passada. No geral eu estava feliz e era grata pela vida e pela minha situação. Tinha minhas insatisfações e mimimis, mas nada específico justificava tamanha tristeza.
Eu vinha de dias felizes, onde aprendia a aceitar as adversidades da melhor maneira, mas ai puft, acordei mal e assim fiquei.
Passei o dia averiguando o que poderia ser, meditei, fiz minhas preces, e nada. Estava inquieta.
Eu queria respostas, queria entender, queria mudar aquilo, queria voltar ao normal.
Geralmente se estou triste, eu vou fazer as coisas que gosto, para não ficar alimentando o que me entristece e para arejar a cabeça. Porém sem saber o que gerava aquilo em mim, nem mesmo conseguia ter concentração ou ânimo para meus hobby's, tarefas ou distrações, nem mesmo dava para ouvir música, tava difícil.
Meus pensamentos se resumiam em: ficar mais mal comigo mesma por me sentir alguém ingrata, por me sentir maluca por não me entender e por isso não conseguir também me explicar, por me sentir culpada, pois tudo parecia ridículo. Minha mente não parava um segundo. E isso cansa e irrita.
Então na teimosia e ainda pedindo respostas nas minhas preces, eis que minha voz interior me orientou o seguinte:

-Pare de procurar racionalizar tanto. Pare de buscar respostas ou explicações pra tudo, pois você agora só precisa de PAZ e não de conclusões.

Por algum motivo eu ri, percebi que era isso mesmo. Eu estava tão vidrada nessa sensação ruim que tinha se instalado em mim, que devo ter gerado com isso uma baita ansiedade, o que piorou tudo. Eu só queria expelir aquilo, as tentativas de analisar a situação só geravam frustrações e na verdade eu acho que precisava ficar triste -por mais que eu não aceitasse- para reorganizar algumas coisas. Percebi que somente com essa mudança drástica, com essa tristeza inconveniente, é que fui notar que eu não estava em paz, tava dando muita trela pros meus pensamentos, eu não estava vivenciando o momento, queria mudá-lo nessa maluquice de querer entender tudo, e ai veio algo além da minha compreensão para me fazer parar. A princípio me frustou a ausência de respostas, mas depois que aceitei que algumas coisas são assim, ai automaticamente fez sentido e a paz se instalou. Eu estava mascarando a solidão e o silêncio. Estava me ocupando o tempo inteiro (seja produzindo algo seja me distraindo), para não ter que confrontar a solidão e porque o silêncio estava me deixando desconfortável comigo mesma. Parece que esse baque veio para me desacelerar, para me obrigar a ficar em silêncio, para me permitir o real desfrute da solidão, para ter paz, para ficar a sós comigo mesma.
Eu sou meio doida, oscilo muito entre procrastinação e produtividade, usando um pra compensar o outro, mas acabo insatisfeita em ambos os estados. Ou me sobrecarrego, ou me sinto uma inútil.
E as vezes eu nem percebo o quão nocivo pode ser. É como se eu corresse, e depois parasse, sentasse pra descansar, mas esquecesse de respirar. Só parar de correr não me recompõe, é preciso respirar.

Já estou ok novamente, e sou grata por esse momento confuso que tive que passar, sei que não deve fazer sentido, mas tudo bem isso. A lição no fim é que eu preciso parar de depender do tintim por tintim para me conformar. 

Reflexões aleatórias II

A insatisfação não pode ser motivação para a improdutividade.
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Passivity – britt-ingrid persson, 1938
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A frustração de não conseguir fazer as coisas como idealizo, as vezes me faz querer desistir, no meio de um desenho, minha voz interior me disse a frase do inicio do post, e isso me fez continuar tentando. Cuidado: as vezes o perfeccionismo limita e desanima ao invés de estimular.

Reflexões aleatórias I

Quanto tempo você perde no que te faz perder o foco?
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Quanto tempo você tira para aquilo que te tira da zona de conforto?



Você tem uma visão proporcional à realidade?

Hoje me lembrei de algo ocorrido na minha infância, que pode facilmente ilustrar meu jeito de observar as coisas ainda hoje.
Numa atividade da aula de artes me lembro da professora nos dar um desenho para ser reproduzido, semelhante ao da imagem a seguir:
fonte: http://tiapaulaeducadora.blogspot.com

A atividade se baseava em copiar o desenho com o auxílio da grade, olhando individualmente cada quadradinho e imitando os riscos da imagem a ser copiada, com o auxílio dos números e letras que indicam cada linha. Na minha aula era também um papagaio, não exatamente este, mas o desenho ai é só para facilitar o entendimento.
Eu gostava muito de desenhar, mas até então eu criava meus próprios desenhos, não me lembro de ter tentado fazer uma cópia de outro desenho na época, ou usar referência (a não ser o clássico contorno das mãos). E ficou gravado em mim a frustração que tive nesta atividade.
Eu com minha pouca idade estava muito indignada de ver que meus amiguinhos que não sabiam desenhar conseguiram mesmo fazer o papagaio, a maioria bem parecido, enquanto eu, que era habituada a desenhar, não me sai tão bem. Até meus colegas estranharam minha dificuldade.
Acostumada a fazer as coisas do meu jeito, eu fiquei decepcionada com meu desempenho e embora tivesse me esforçado não compreendia porque tinha sido tão difícil.

Na época me faltava a noção, de que por mais que eu devesse seguir quadradinho por quadradinho, na minha cabeça ficava gravada a imagem já pronta e por isso eu não me atentava como deveria aos fragmentos dela, e isso gerava a desproporção. Eu via o todo e tentava fazer me baseando na visão geral, parecia tão simples. Mas a teimosia me impediu de ver as coisas como precisava para alcançar o resultado adequado.
Ironicamente é isso que as vezes ainda acontece. Eu quero ver as respostas, as situações, só de forma completa, inteira, eu vejo "o papagaio" e não as linhas, talvez porque aparenta dar menos trabalho, ou por subestimar, achando fácil demais. Isso faz minha percepção das coisas não ser tão realista. Algumas situações exigem que olhemos para os detalhes de forma isolada, quadradinho por quadradinho, para que possamos acompanhar a direção real das coisas. É preciso se desapegar da imagem que criamos (papagaio) para conseguir construir a imagem real (juntando os riscos abstratos).

Essa técnica da grade também é utilizada nas artes para ajudar a aumentar/diminuir as imagens de forma proporcional. E acho que isso também se enquadra no sentido de que ser observador e ver os detalhes nos ajudam a expandir a mente e ver tudo com a devida clareza, mesmo nas nossas limitações.

Dürer, gravura, 1525

 **Acho que muitas vezes distorcemos as coisas, e não intencionalmente, mas sim por nossas opiniões terem a tendência de defender algum lado, ou também, por algo nos afetar, ai não conseguimos separar direito as coisas e só vemos a nossa maneira, nossos argumentos e convicções parecem consolidar a imagem que criamos, e as vezes isso faz nossas conclusões serem distintas da realidade. Nem sempre somos justos, porque nem sempre sabemos ser imparciais, nem sempre vemos parte por parte, as vezes vemos só o que nos interessa, e ai no final a imagem está incompleta e distorcida.

E fica aqui a reflexão: Como tem se saído a sua reprodução dos fatos? Você segue o generalizado, a visão rápida "do todo" (e se esquece das limitações que isso impõe) ou consegue ter a cautela de fragmentar e ver as coisas minuciosamente?

Eu acho muito maluco como eu aprendo com coisas que relembro da infância ou com coisas relacionadas a arte. Tudo parece se encaixar, estou lendo um livro chamado Grande Magia que fala justamente sobre ver a vida de forma criativa, e em certos pontos na leitura vejo como desenhar influencia no meu aprendizado com coisas que não tem nenhuma relação a arte.

Enfim se você curtiu a ideia da proporção para reproduzir desenhos, eu na minha busca por imagens para esclarecer o post, achei um site bem bacana que ensina técnicas de desenho e resolvi compartilhar.

Abraço.