sábado, 26 de maio de 2018

Entrando no armário.

O post de hoje ainda trata dos efeitos da mudança. Me mudei a prestação e parece que só no final senti os reais impactos. 
Antes meu deslocamento tinha motivo, "ah acho que me sentirei melhor quando todas as minhas coisas estiverem aqui". Pois minhas coisas enfim se acomodaram e a sensação não foi a de conforto, mas de confronto.
Eu falei no post passado sobre APEGO e este também retratará isso, mas ainda sinto que terá mais o que ser explorado sobre o tema.
Enfim, sempre fui muito ligada aos meus objetos. Sempre depositei sobre as minhas coisas um valor sentimental exagerado. Eu fui uma criança, que embora tivesse amigos, gostava de brincar sozinha e meus brinquedos foram então não só brinquedos mas principalmente companhia. Talvez disso veio esse hábito de dar a objetos um valor mais significativo, não os associava ao que de fato são, mas principalmente ao que me faziam sentir.
Eu até acreditava que se viesse a ser uma mulher solteirona que mora sozinha (como supus a maior parte da minha vida) seria uma potencial acumuladora.
Porém a mudança de casa veio para que eu confrontasse os meus "xodós". Eu associava meus objetos ao bem estar que eles me traziam, as lembranças que representavam, ou ao visual mesmo, tudo coisas que sob minha ótica reforçavam minha história e personalidade. Eram o meu mundo!
Eu estava acostumada as minhas prateleiras com bibelôs, livros e penduricalhos. As minhas coleções, mesmo aquelas sem sentido, como uma caixa cheia de cartas que recebi  (a maioria quando era criança) de pessoas que talvez nem se lembrem mais de mim. 
Acho que notei um primeiro desconforto com isso quando meu marido, na época namorado, foi ao meu quarto pela primeira vez. Na época eu tinha um imenso mapa mundi numa das paredes do quarto, um crânio encima da comoda, e coisas bem "Aline". Me lembro da cara dele, do desconforto,  e dele questionar se eu precisava de tanta coisa assim pra que me sentisse bem.
Confesso que não recebi bem tal reação. O achei um tanto insensível. Fiquei mal e liguei a situação a algo pessoal (coisa tola que ainda faço). Não queria sufocar meu marido com minhas coisas, mas também não me sentia completa sem elas.
Ele é uma pessoa simples, que vive com o necessário. Depois constatei, que não só éramos muito diferentes, mas que somos na verdade opostos. Na casa dele não havia se quer um único objeto de decoração. Cores e móveis neutros e discretos. Nada em excesso, tudo funcional, prático. Inclusive julguei que era até "sem personalidade e sem graça demais". Ele é completamente desapegado, então eu realmente não podia esperar que ele visse as coisas como eu. Por isso notei que nesse assunto ambos ficávamos constrangidos. 
Foi ai que comecei a me sentir culpada por ter tanta "tranqueira", parecia depender de uma parcela dessas coisas para me sentir "eu".
Com o casamento se aproximando eu sabia que não teria como levar tudo. Então pra ajudar a me organizar pra mudança li um livro ótimo sobre organização chamado: A mágica da arrumação - Marie Kondo. Esse livro me fez repensar a importância excessiva que eu dava as coisas. Através disso comecei a praticar o desapego. Consegui me desfazer de diversos livros, brinquedos antigos, roupas, objetos e anotações. E foi uma sensação bacana, pois consegui abrir a mente sobre o assunto, Marie Kondo me ensinou a importância de saber avaliar se o que temos realmente é necessário ou se nos faz feliz. Até então tudo era associado a alguma fase ou emoção. Mas consegui aos poucos desvencilhar uma coisa da outra. De descartar, por exemplo, coisas que eu não gostava, mas mantinha por consideração a quem me presenteou. Ou de achar que eu precisava manter objetos que representavam algum momento especial, para que esse momento se mantivesse "vivo". Comecei a perceber o problema do meu bem estar estar associado/dependente de coisas.
Ainda assim foi só quando me mudei de fato que o impacto veio mais forte. Me mudei a prestação, e isso cooperou para que eu revisasse, em cada etapa, o que realmente ia trazer. Me sentia mal com o transtorno que seria trazer minhas coisas. A noção da vida mais compacta me pressionou a abrir mão das minhas coisas, e a vida de casada alavancou a necessidade de me livrar "do meu mundinho". 

Mas quando a mudança enfim acabou e eu consegui organizar minhas coisas, reparei que o "meu mundinho" agora se resumia num pequeno armário. Com bem menos coisas do que já tive. Fiz daquele armário a minha Nárnia, meu cantinho.
Eu confesso que infelizmente isso me deprimiu algumas vezes. Que em determinadas horas bateu uma tristeza ao olhar pro que restou. Me sentia perdida na nova casa, custei a me identificar, então o local onde guardei o que sobrou dos meus objetos de valor sentimental, virou meu refúgio.
Era a sensação de que, mesmo achando que eu era a pessoa que tinha coisas demais, ainda faltava alguma coisa.


Até retratei isso nesse desenho

E faltava algo mesmo: Maturidade e gratidão.

O triste disso não foi ter me desfeito das minhas coisas, mas a sensação de não haver espaço pros meus excessos, de me sentir reprimida, limitada. Infelizmente associei a nova fase, a principio, como uma ausência de mim, como uma inadequação. Misturei a situação com o que eu pensava ser.
Tanto estive acostumada a me expressar com a decoração, de me identificar com objetos e dar a eles algum significado, de exibir minhas extravagancias/peculiaridades, que ao perder essa referência eu me sentia reclusa, e ai corri o risco de me apegar ainda mais as coisas que me restaram.
Mas com o passar do tempo comecei a ser grata as coisas que eu tinha, e percebi a complexidade de associar felicidade com pose. Eu realmente ainda tenho muito o que trabalhar nessa área do apego (e não só de objetos), mas hoje enxergo o progresso que fiz. As vezes eu acho que exagerei na dose do desapego, no sentido de que eu estava deixando de me expressar por começar a considerar tudo como desnecessário, mas já vi que também não é por ai. Aos poucos vou buscando o equilíbrio e avaliando tudo com mais cautela.
E hoje percebo a importância de confrontar nossos hábitos, eu realmente acreditava que precisava de muita coisa pra ficar bem, isso também mostra que eu era muito controladora, as coisas tinham que ser do meu jeitinho, e nisso eu acabava insaciável, sempre criando condições para conseguir me sentir confortável. Agora balanceio essa ideia de me adaptar ao local e não só de adaptar o lugar a mim. Porque se fosse como antes, de ter sempre que adaptar o lugar, a insatisfação e a ingratidão ganhariam força. Então agora consigo ver que tudo foi imensamente necessário. É bom ter a oportunidade de viver uma experiência nova, de enfrentar desafios, e de aprender a ser livre das armadilhas que nós mesmos criamos.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Virando a página

O assunto de hoje é de algo pessoal, porém o foco é sobre APEGO e não só sobre o que desencadeava isso.

Eu desde criança tinha o hábito de escrever diários. E com o passar do tempo acumulei várias páginas com diversas histórias. E agora eu percebo o porquê relutei em me desfazer desses diários.
Uma das coisas que tem mais valor p mim na vida é a memória. Inconscientemente eu sempre estive tentando conservá-la de alguma forma.
Escrevia relatos e reflexões não só pra esclarecer as ideias, mas principalmente para tentar guardar o efeito das coisas sobre mim.
Semana passada na última viagem a casa dos meus pais para buscar minhas coisas, decidi me desfazer de meus diários. Que eu tinha desde de 2004 se não  me engano.
Essa transição me abalou, de abandonar algumas coisas, mas eu não identifiquei o motivo de imediato. Parecia ser o certo me livrar de historias passadas e a falta de espaço na nova casa tbm me fez abrir mão de muitas coisas e essa seria só mais uma delas.
Na medida do possível tava tudo bem. Eu estava angustiada mas não dei atenção.
Foi então que dias depois, organizando minha última remeça de livros, eu tive uma noção melhor do que se passava.
Abri um livro chamado "listografia", que é interativo, e numa das listas estava uma pergunta que dizia algo como: "se sua casa pegasse fogo o que você salvaria?" E a primeira coisa que escrevi foi: Meus Diários.
Foi aí que notei que ter me desfeito deles estava me incomodando, pois os associava com minha história. Era minha memória arquivada.
Disso tbm tirei conclusões como meu apego a coisas materiais (Que vou me aprofundar em outros posts) coisa que eu via como algo bom.
Mas os diários representavam pra mim uma chave de acesso pro passado. Sou nostálgica e isso piora as coisas. Quando me disfiz deles senti o alívio de não mais ficar presa ao passado. De não ter algo que precisasse esconder (por ser algo bem íntimo eu tinha vergonha que caísse nas mãos erradas) com eles se foram algumas memórias de fato, dificilmente me lembrarei de tudo que acontecia diariamente em todos os anos, mas é preciso lembrar que as memórias mais marcantes moldaram a Aline do presente e que eu não preciso saber todos os detalhes. Acho que o problema é aquele desejo de ser lembrada sabe? Talvez eu depositava nos diários um meio de acesso pra quando eu não estivesse mais por aqui. Tinha medo de ser esquecida, então deixei ali um meio pra que me encontrassem novamente.
(A doida que dá valor demais pra si mesma e um ego que quer viver além da vida).
Enfim entendi que não é porque algo tem valor pra mim que vai ter pros outros, mesmo pra aqueles mais próximos.

Uma outra coisa doida que me veio ao refletir sobre isso é que os diários tem uma ligação enorme com meu maior medo. Eu não tenho medo de morrer e aos poucos estou superando o medo de ser esquecida, pois com 7 bilhões de pessoas e mais gente vindo ao mundo, isso é inevitável, ainda mais pra alguém comum q não fez nada como Joana D'arc, Newton, Coco Chanel, Michael Jackson, etc.
Meu maior medo na verdade é de que eu perda a memória. Mais precisamente de ter Alzheimer, ou algum problema semelhante que me tire a sanidade e a memória. Ou voltar de um coma com amnésia.
Talvez isso me dava essa necessidade crônica de querer guardar memórias em algum canto. Para que se eu me esquecesse de quem eu sou pudesse ter um jeito de lembrar, ou dar esse acesso às pessoas próximas para q não se lembrassem de mim só como alguém sem memória.
Passei boa parte da vida montando uma biografia que agora está no lixo.
Ainda é dolorido, por ser insubstituível e pq depositei naqueles papéis muito valor sentimental, mas ao mesmo tempo sinto que me livrei de um apego enorme e desnecessário, que nesse impulso de jogar fora me fez encarar alguns fatos que eu não queria lhe dar.

O apego enfim mostrou-se como problema.
E me mudar de casa e de estado civil trouxe muitas outras mudanças que vou mencionando aqui.




segunda-feira, 14 de maio de 2018

Doida de pedra - o início


Um post aleatório, pois falar das coisas que eu gosto muitas vezes também é uma terapia.
E hoje vou falar um pouco de como comecei a gostar de cristais/pedras.

Quando eu era criança eu adorava caminhar olhando para o chão. Pois eu era muito boa em achar coisas. E eu também amava pedras, muitas vezes o formato ou a cor me faziam levá-las pra casa. Eu não sei exatamente o que me fez gostar de pedras, só sei que gosto delas desde cedo. E essa pedra preta eu achei enquanto brincava na parte de fora da igreja que frequentava com meus pais. Gostei por ser uma pedra lisa e preta, pois até então eu nunca havia visto uma pedra assim, coloquei ela no bolso e a levei para casa, com a sensação de ser algo precioso.
Depois foi a vez de trazer a pedra laranja e o cristal para casa. Meu pai ama aquários, e muitas vezes eu o acompanhava até os aquarismos, e numa dessas visitas haviam pedrinhas diversas num pote encima do balcão. Então enquanto meu pai via uns produtos eu fiquei ali olhando as pedras até que escolhi essas duas e o convenci de comprar pra mim. Eu não me lembro do preço, mas era algo bem baratinho. Eu porém as amei tanto que estão ai intactas até hoje.
As duas últimas, uma pedra esverdeada e uma pedra rosa clarinha, que suspeito ser um quartzo rosa bruto, foram pedras que achei mais recentemente. A pedra verde achei em 2015 quando voltava do trabalho de manhã. No meio do asfalto a pedra me chamou a atenção e acabei levando embora. No começo do mês comprei uma pulseira com vários cristais coloridos, onde cada cor representa um chacra, e a pedra verde é muito semelhante a essa que eu achei. Quando voltar a barraquinha onde costumo comprar as pedras vou questionar o vendedor, que é sempre atencioso, para ver se descubro qual pedra é essa, e também as demais.
[UPGRADE: Voltei a barraquinha e segundo o vendedor essa pedra verde é um jaspe, a laranja é uma cornalina e a preta é uma turmalina preta rolada]
Na foto a cor da pedra rosa quase não aparece, mas ela é linda, quando a achei, creio que também em 2015, era a época que eu pintava pedras, pois gostava dos formatos, ai usava uma tinta para colori-las ao meu gosto e fazia uns colares (ainda não tinha descoberto a barraquinha dos cristais, então eu "criava" os meus), mas quando achei essa pedra rosada não tive coragem de pintá-la e deixei ela junto das demais. Essas são algumas das pedras que eu mesma capturei por ai, não sei porque mas gosto de tê-las comigo. E bom esse foi o meu post sobre uma das minhas manias malucas. Colecionar pedras.

Acho importante as pessoas assumirem seus gostos peculiares e cultivá-los, isso nos conecta com nós mesmos, exploramos mais nosso potencial criativo, aquelas coisinhas que nos tornam únicos. Eu tenho alguns e não saberia viver os reprimindo, e muitas vezes lamento por não os explorar mais a fundo. Sei que são muitas vezes "ideias malucas", como carregar pedras rsrs, mas inexplicavelmente me faz bem. E isso deve importar muito mais do que ficar com receio do que irão pensar. Hobby's e gostos tão próprios são aquelas coisas que nos ligam a nossa essência.    


terça-feira, 8 de maio de 2018

Nem tudo são espinhos.




O que te faz bem?

Pra mim uma dessas coisas é a natureza, e eu deixo um pedaço dela pertinho de mim, com minhas plantinhas. Mexer com plantas é um antídoto pra mim, me acalma, me trás bem estar, é um passa tempo que me ajuda muito.
E a fotografia, também é algo que me trás bem estar, que me acalma, é minha forma de conexão com a arte, de expressar e dividir meu olhar criando imagens. E essa foto é a junção dessas duas paixões.
Cada vez mais eu vejo a importância de dedicar um tempo para essas coisinhas simples que me fazem bem, pois disso nasce a gratidão e com ela vem tantas outras coisas boas.

Então numa manhã normal sai para regar as plantas e achei tão poético ver essa sementinha de dente de leão presa aos espinhos do meu cactos, pois pra mim é a fusão do delicado com o bruto. Os risquinhos brancos da sementinha semelhante aos espinhos, porém tão diferentes. É uma contradição.

Sou grata por ter um olhar que capta as coisas simples e as converte em sorriso, sou grata por saber contemplar as coisas e fazer disso um momento especial.

sábado, 5 de maio de 2018

O segundo desafio - may the 4th be with me

Hoje foi dia de tentar o ballet adulto. Eu ainda estou MUITO dolorida da aula de kung fu, o que foi avisado, mas mesmo nessas condições eu quis experimentar algo novo.
No post anterior mencionei que já tive problemas fazendo dança antes e isso me deixou apreensiva. Porém a aula de hoje foi bem positiva. Eu sou mesmo descordenada, mas.ainda assim a aula de balé foi bem proveitosa.
Vou começar com algo imprevisto. Ao chegar no estúdio de dança e me olhar naqueles espelhos enormes, ver como meu corpo de movimenta e estudar melhor minha postura, cheguei numa conclusão: preciso mesmo engordar! A finura do meu braço me incomodou demais. Coisa que eu andava ignorando, mas que definitivamente não tá bonito. Gosto de ser magra, mas esse aspecto esquelético dá pra ser melhorado e será.
Bom agora falando mais sobre a aula mesmo, eu gostei, foi bom que de alunas éramos eu e mais uma moça, então a professora dá uma atenção bem especial. Percebi que minhas maiores dificuldades são: postura e acompanhar os passos. Igualmente como foi no kung fu, demoro pra conseguir realizar instruções em sequência. Confesso que isso é bem desanimador e dá aquela impressão de que eu sou o tipo de pessoa que atrasaria a turma. Mas não sei ao certo, pois sou muito exigente comigo e nem sempre respeito meu tempo de aprendizado. Porém quanto mais difícil é lhe dar com essa frustração mais vejo que tenho mesmo é que insistir pra melhorar isso e me colocar sob pressão. Eu preciso aprender a ser determinada e não ficar me jogando pra baixo por não alcançar minhas expectativas, sem me dar uma chance e me empenhar pra valer. É um passo de cada vez, e eu tropeço pois sempre quero ir rápido demais.
Bom o positivo é que hoje eu estava mais tranquila sobre errar, e olha que errei muito. Creio que o espelho me ajudou bastante a ver o que faço de errado e me estimula a tentar de novo. No kung fu se tivesse um espelho desse ajudaria também pq uma das coisas que me frusta é errar e não descobrir quando começa o erro.
É não dá pra negar que o domínio dos movimentos do corpo não é meu forte. Mas senti na pele a importância de se desafiar a pisar fora da zona de conforto. Só fico com receio de insistir em algo que eu ache até legal, mas que não combine comigo. Pois também não quero me dedicar e no fim perder tempo.
Eu sei que se eu fizesse ioga/pilates possivelmente me sairia melhor do que num balé ou kung fu, pois das opções
são o que meu corpo responde melhor, e também por me identificar, porém não sairia tanto da zona de conforto. Naturalmente eu escolheria o mais fácil pra evitar a frustração. Alinices. Coisa feia.
Voltando ao desempenho da aula, balé cansa, mas não chega nem perto da canseira do kung fu. Achei tranquilo até. Mesmo dolorida consegui cumprir com o proposto e sinto que depois da aula sai até com o corpo melhor. É uma opção maravilhosa, e tem o benefício de não ser tão desgastante, o que não me deixaria ainda mais magra, coisa que me preocupa com relação ao kung fu.
Achei muito bom poder testar essas duas ideias de atividades, pois pude ver o quanto algo assim é necessário pra mim e o bacana é que não são monótonas e exigem um compromisso a longo prazo. Ambos tem aspectos úteis pro meu crescimento. Por isso vai ser muito difícil me decidir. Mas já sou muito grata por simplesmente ter aprendido tanto só por me propor a experimentar. Por fazer algo diferente e por finalmente dar importância a coisas que eu gosto mas simplesmente julgava "bobagem". Só esse despertar já fez tudo valer a pena. E meu Conselho é que TODO MUNDO devia arriscar de tentar fazer algo que goste, algo diferente, algo que te represente e/ou te desafie. Pois isso enriquece a vida e só nos faz bem.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

O primeiro desafio.

Num dos posts anteriores eu mencionei algumas coisas que queria tentar fazer para gastar energia, pois creio que isso me ajudaria a ter uma vida mais equilibrada.
Então semana passada tomei a iniciativa de correr atrás e experimentar algumas coisas das quais me interesso, unindo o útil ao agradável.
Com certo nervosismo e vergonha, criei coragem e hoje fiz uma aula experimental de Kung Fu.
Foi uma experiência muito interessante, ainda mais porque foi uma das coisas mais diferentes que já fiz. Nunca pratiquei NADA de artes marciais, e acho que foi um bom inicio.
Pra começar só os alongamentos são extremamente puxados (e olha que sou flexível) trabalham muito respiração, força, flexibilidade e concentração.
Das atividades que já pratiquei, [dança, pilates, cinesioterapia. (Obs: nada disso foi praticado por longos períodos, dança foi brevemente na infância, pilates algumas aulas apenas e a cinesio eram os alongamentos no meu antigo trabalho que duravam 10min 2x na semana)] nenhum alongamento foi mais intenso que o do kung fu. Também pudera, ao aprender os primeiros movimentos você nota que vai exigir bastante do corpo então é bom já deixá-lo preparado. É uma ótima atividade para gasto de energia (meu objetivo), mas também tem muitas outras funções, algumas são belos bônus.
Durante a aula eu fui assombrada por alguns "fantasmas", velhos conhecidos meus.
A vergonha/Insegurança: Expor minha falta de habilidade em público me deixa desconfortável, e isso me retraí. Estar num novo ambiente, conviver com novas pessoas, ah isso é complicado, mas na medida do possível tentei ser sociável, mas também confesso que não dei o meu melhor, pois ao temer o julgamento alheio, perdi o foco em certos momentos. É a velha sensação de "eu poderia ter me saído melhor se ignorasse o que os outros vão pensar". Isso também me atrapalhou ano passado, quando fiz treinamento para brigadista. Em algumas coisas me sai bem, mas é só eu me sentir perdida ou vulnerável que ai eu perco o embalo/foco. Fico na espera de que haja mais explicações ou alguma ajuda, quando algumas situações exigem que você tenha iniciativa e se arrisque, mesmo que seja da forma errada, pois é ai que você é advertido e aprende. Mas meu orgulho muitas vezes me sabota, ai eu me coloco em posições mais favoráveis/covardes, para não ter de enfrentar as situações que me deixam assim com medo de errar. Porém o kung fu é tão interessante que é uma ótima forma de trabalhar isso.
A falta de concentração: Eu tenho dificuldade de memorizar as coisas rápido. E kung fu são movimentos sequenciais, então eu me perdia facilmente, mal captava o primeiro movimento e já tinha que seguir pros próximos. Isso me mostrou da forma mais clara possível o quanto é preciso aquietar a mente, pra mim observar, absorver e reproduzir os movimentos. Pra isso é necessário muita atenção. Mas minha cabeça fica berrando: "Puta merda que difícil!", "acho que não vou conseguir", "aah droga não to acompanhando". "Porcaria ta todo mundo vendo esse fiasco" e ai ao invés de me concentrar no que estou vendo, acabo me atrapalhando por ouvir as minhocas na minha cabeça e não o mestre. De sorte que o mestre é paciente e o pessoal lá respeitoso. E refletindo depois isso é algo que sempre me ocorreu. Quando fiz dança na infância, algumas vezes a jovem que nos ensinava perdeu a cabeça comigo, já que nem sempre eu acompanhava. Num desses dias em especial ela parou a aula, desligou o som e gritou comigo na frente das meninas. Reconheço que não era um passo difícil, não exigia muita habilidade, porém eu não tinha compreendido e isso se refletiu na minha falta de coordenação. Acho que por eu errar em algo "fácil" fez ela perder a cabeça achando que eu estava fazendo pouco caso, como se fosse desleixo. Foi algo bem chato, tanto que ela encerrou a aula antes da hora e umas meninas vieram ver se eu tava bem. De certa forma acho que desencadeou esse meu medo de não acompanhar as instruções, ai me sinto um lixo quando "sou devagar pra aprender", já pensei ter déficit de atenção devido a isso. No pilates eu tinha dificuldade de acertar algumas posições, porém creio que isso dentro do normal, nada que uns toques do instrutor não corrigissem. E lá eu tinha foco, me concentrando apenas no que eu devia fazer. O que me mostrou que é uma questão de estar aberto a errar, e que JAMAIS deve se comparar aos outros, cada um tem suas limitações. Coisa que vivo esquecendo. Mas que reforçarei pra me lembrar.
Concentração é um ponto fraco meu e justamente por isso creio que uma atividade assim seria benéfica. Pois eu iria trabalhar o que geralmente acaba me fazendo desistir/desanimar das coisas. No kung fu eu teria que trabalhar essa área, já que o aprendizado depende disso.
Justificar meus erros: Caramba como isso é irritante. Eu parecia o Dre, o molequinho do karatê kid, o filme mais recente com Jack Chan, quando ele fica reclamando ao invés de se calar e aprender. Tipo não que eu reclamei, mas ao notar que eu estava fazendo algo errado eu falava "sou ruim pra memorizar". Independente da dificuldade, ficar repetindo/justificando o porque de errar não me ajuda em nada. Não é preciso se desculpar a todo tempo por errar, é um processo de aprendizado, isso faz parte. É bom ter noção do que te atrapalha, mas é necessário passar por cima e não esbarrar nisso. Enfim, na aula mesmo me toquei disso e já tentei mudar a postura.

Eu sai feliz, realizada e bem cansada rsrs, foi mais legal do que eu esperava, fiquei desapontada comigo mesma por não desenvolver como eu gostaria, mas é preciso lembrar que é minha primeira vez, não fosse as neuras da minha cabeça teria sido perfeito. E nossa eu aprendi tanto sobre mim mesma, analisando melhor a situação e vendo o que dá pra melhorar, e estar numa atividade nova me fez ver muita coisa.

Sexta-feira agora é dia de experimentar o Ballet Adulto. Estão bem animada também, acho que o mais difícil vai ser depois ter de optar por apenas uma dessas atividades. 

O poder do papel em branco

Fiz um post falando que desenhar me ajudou num dia de crise de choro. Hoje o post também é sobre como desenhar me ajuda de outras formas.

Muitas vezes é o papel em branco, um lápis/caneta e eu e disso vem alguma ideia e o desafio de traduzi-la no papel. Há dias eu tava com a ideia de fazer um desenho onde uma garota fazia malabares, mas ao invés de bolinhas seriam planetas. O significado é algo como ter o mundo nas nossas mãos, o que reforça a importância do equilíbrio, sempre sob risco de deixar a bola cair. Ou de estar com a cabeça na lua, pois a ideia também era fazer a menina do desenho olhar para lua. Ou ainda da mente(cabeça) ser o centro do universo, coisa que parei pra pensar agora rsrs. Fora as demais interpretações que quem observa de fora pode ter, o que é legal também.
Eu não tenho muita habilidade, pois nunca levei os desenhos muito a sério e as vezes passo longos períodos sem fazer nada. É mais teimosia que habilidade. E foi um enorme desafio tentar passar a ideia pro papel, errei várias vezes, ai eu vou e recomeço, pauso para estudar a pose, tiro foto pra usar de referencia, volto pro papel, erro algumas vezes até chegar perto do que preciso, as vezes consigo fazer um desenho de primeira, as vezes leva várias tentativas, e nesse devo ter feito umas 8 ou mais. Fora o estudo das mãos, já que era algo que eu não desenhava há tempos e que sempre foi uma dificuldade, queria deixar aceitável ao menos. E eu pretendia criar um desenho simples, mas deu trabalho. Mas cara essa as vezes é a melhor parte.
A princípio eu faria uma menina com nariz de palhaço e a bolinha desse nariz se fundiria com os planetas nesse malabares. Ai errando uma coisa aqui outra ali, quando olhava uma tentativa fracassada vinha dela uma ideia nova, o erro se tornou um processo criativo. As últimas tentativas vieram com um novo elemento, haveria uma "bola" perto de onde é o coração, e ali ficaria algo que representasse um buraco, que também poderia ser visto apenas como uma lua minguante/crescente. E no lado oposto ficaria uma outra lua que representaria o inverso, como se uma completasse a outra (uma espécie de yin yang) e a menina estaria olhando essa outra metade. O Sol ficaria entre essas duas metades de lua, simbolizando a iluminação. Desisti do nariz de palhaço pois ai se tornou algo mais puxado pra uma forma de expressar espiritualidade e crescimento pessoal e o nariz não encaixava mais de forma legal.
Esse tipo de coisa, de errar num desenho e das tentativas nascer uma ideia nova é algo que já me aconteceu muitas vezes e é essa explosão de ideias que me faz gostar de desenhar, gosto de já ter uma ideia e tentar colocá-la no papel, mas amo ainda mais quando vão vindo ideias novas no processo. Desenhar inconscientemente é uma forma que expande minha mente, através da criatividade. Eu sempre curti fazer uns rabiscos, mas eu estava enjoada de fazer desenhos sem proposito, tipo desenhar rostos femininos bonitinhos, mas sem ter um significado. E de um mês pra cá não me faltaram ideias pra desenhar e ideias que vinham de algo que eu vivi ou quero viver, algo pessoal  e significativo mesmo e fico muito feliz com isso, pois inspiração é uma das coisas que eu mais amo e que estava me faltando. Eu amei esse desenho, pois ele acabou tendo todo um significado e um processo especial pra mim. Tá longe de estar perfeito mas eu gostei muito de ter conseguido finalizar, e quem sabe eu não continue tentando melhorá-lo e disso nasçam mais ideias.

Essas foram algumas tentativas que cheguei a finalizar. A da moça de black eu
mudei de ideia por não gostar da pose das mãos e ali a ideia também era deixar o Sol
no topo. A outra eu achei que ficou cabeçuda e ainda não estava feliz com as mãos,
e foi dessa tentativa que nasceua ideia de acrescentar a lua/buraco no peito.

Essa foi a versão final, dei uma corrigida bem simples no photoshop
pq como fiz de caneta dei uma cagadinha. Ainda tem uns errinhos
talvez com um pouco de paciência eu digitalize e corrija tudo.
Foi a primeira vez que tentei descrever o processo criativo e o significado de elementos do desenho. É uma delícia poder se expressar através de uns rabiscos, espero poder postar mais vezes sobre isso.