quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Grande Magia - Aprendendo com a criatividade.

Depois de ler Comer Rezar e Amar, da Elizabeth Gilbert, eu quis conhecer mais livros dela. Li o Comprometida e agora finalizei Grande Magia, que é uma obra dela que fala sobre criatividade, mas também aborda coisas além, já que fala sobre como nos superarmos. Costumo tomar nota das minhas leituras então vou dividir aqui algumas lições valiosas que tirei.
O curioso é que este foi o livro mais curto e o que rendeu mais reflexões (até dividi por temas) coisas como:

- MEDO -
O medo é o ato de defender as nossas fraquezas.
Nunca tinha visto dessa forma, as vezes vemos o medo como forma de nos proteger, mas na verdade ele defende aquilo que nos atrapalha. 
"Valorize suas limitações e terá que conservá-las."


- EXPECTATIVAS E FRUSTRAÇÕES - 
"Medir seu valor com base em sua dedicação ao processo, não em seus sucessos e fracassos."
As vezes deixamos a satisfação ser refém do resultado, descartamos a experiência, é aí que as coisas se tornam desgastantes.
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Autoconcorrência: medo de não conseguir se superar. Esse assunto foi abordado rapidamente, mas me impactou. Porque parece que já "gastei" o meu potencial, e que agora resta me conformar que o melhor já se foi. Isso é uma grande mentira! Todos nós temos poder de renovação e por isso somos capazes de nos superarmos sempre. O problema é que criamos expectativas de como as coisas devem ser e ai ficamos presos a nossas ideologias.
Temos uma ideia pré concebida que gera ansiedade e frustração. Essa ideia diz que se vamos fazer algo temos que ganhar destaque/atenção, ou temos que ganhar dinheiro. Por que batalhar tanto por algo se não for pra ter algum reconhecimento/recompensa?

Nosso próprio interesse, aprendizado e satisfação não são vistos como algo de valor. 
Desprezamos o ato de simplesmente nos realizar, porque passamos a crer que pra valer a pena não basta a satisfação, tem que haver sucesso.
Ai me veio a mente como exemplo os garotos que andam de skate, que fazendo o que gostam, não temem o risco de cair e quebrar o braço. Eles submetem-se a grandes riscos, e a maioria nunca irá ganhar a vida com isso, ainda assim andar de skate não deixa de ser algo divertido e desafiador.
Então por que nós não agimos da mesma maneira? Podem ser outras atividades, como escrever, pintar, ou para aprender algo que nos interessa mesmo que pros demais pareça não "fazer sentido".
Não deixe as expectativas altas freiarem algo que deveria ser divertido. O que me fez concluir que:


O topo não é o único caminho. 
As vezes o mais alto que irá chegar é ir mais dentro de si mesmo, é se superar se conhecer se desbravar. E tudo bem. 

Almejar apenas o topo pode virar um atalho pro fundo do poço.
"A reação não depende de você".
Não dá pra controlar a opinião que você ou seu trabalho irão causar, não deixe que a repercussão te tire a estima. Afinal você fez algo para se mostrar ou fez porque gosta? Analise-se.

"Não espere que seja fácil, mas sim interessante". 


"A frustração não é uma interrupção do processo criativo; a frustração é o processo."
Ela sempre estará lá, cabe a você saber administrá-la.

"Tudo tem seus altos e baixos 
você só precisa decidir com que tipo de baixos está disposto a lhe dar."

[...]"então a questão não é tanto 'o que você ama fazer?'
 mas sim 'o que você ama fazer o suficiente 
para conseguir suportar os aspectos mais desagradáveis do trabalho?'" (Mark Manson)




- PERFECCIONISMO -
"Para mim O perfeccionismo é apenas uma versão de luxo, 'haute couture' do Medo."
"O perfeccionismo nada mais é do que um profundo mal-estar existencial que afirma repetidamente: não sou bom suficiente nem nunca serei."


"Qualquer movimento é melhor do que a inércia, pois a inspiração sempre será atraída para o movimento."
Melhor feito do que só idealizar o perfeito. Lembre-se que se a perfeição vem com a prática é preciso adicionar paciência e determinação nessa receita pra dar certo. 
O perfeccionismo ilude pois é visto como uma ambição positiva, uma evolução, um objetivo.
Mas na realidade o perfeccionismo pode ser um desmotivador, acabamos sendo críticos demais e então se perde o entusiasmo, nos desanimamos ou desistimos por não atingir nossas ambições. O perfeccionismo é muito exigente, então é preciso entender aonde ele está te levando. Pois geralmente nem notamos que é para baixo.

- EGO -
Questões fundamentais:

I - "O que você ama tanto fazer que as palavras fracasso e sucesso essencialmente se tornem irrelevantes?"

II - "O que você faria mesmo que soubesse que é bem possível que venha a fracassar?"

III - "O que você ama até mais que seu próprio ego?"

"Seu ego é uma excelente criado, mas péssimo senhor, pois a única coisa que ele quer receber é recompensas, recompensas e mais recompensas. E como nunca haverá recompensas o suficiente para satisfaze-lo, ele sempre ficará decepcionado. Se não for controlado esse tipo de decepção pode acabar com você. Um ego desgovernado é o que os budistas chamam de 'fantasmas famintos': sempre esfomeado, sempre uivando, carente e insaciável."

"Sei que não sou apenas um ego; sou também uma alma."

"A alma deseja apenas uma coisa: encantamento. A criatividade alimenta a alma e acalma o fantasma faminto. A alma não se fere, mas o ego sim, ele quer se vingar ou ganhar o prêmio".

Cuidado para o ego não te levar para a insatisfação perpétua. Não deixe sua criatividade definhar ou seu encantamento se decompor.

E por fim um conselho, Elizabeth enfatiza para que tenhamos um caso com a criatividade, tesão, pra arrumar tempo pra ficar perto dela, como se arrisca alguém que faz de tudo para poder ver um amante.

Uma leitura leve mas profunda. Que me ensinou muito e que me motivou ter a criatividade como companheira.
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P.s: Muita coisa aqui foi escrita pelas minhas próprias palavras e interpretações, as citações estão devidamente dentro das aspas e creditadas. 

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Instagram e meus estragos.

Desde o ano passado, quando vi #inktober pelo instagram, eu venho esperando para participar. Nada mais é do que um desafio onde se faz um desenho por dia no mês de outubro. Deve ter algum tema original a ser seguido, mas eu quis criar meus próprios temas pois queria me desafiar.
E no fim o que aconteceu? Desisti. De consolo sei que foi melhor assim.
Quando divulgo um desenho me sinto bem exposta, mas me propus de sair da zona de conforto. Os resultados eram medianos, ruins, embora o processo era interessante pra mim, até eu querer jogar tudo pro ar, porque não saia como eu queria e a correria me fez pular um dos dias, coisa que eu não pretendia fazer.
o #inktober me fez perceber a ansiedade por curtidas, a frustração crescendo onde nada tava bom, a impaciência, me forçando a desenhar mesmo sem o tempo necessário ou vontade de explorar a ideia/tema, e o desanimo ao me comparar. Parei pois continuar só por teimosia seria um jeito de deixar o ego menos irritadinho.
Seguirei com a ideia dos temas, mas sem postar em insta, sem prazos, porque isso ainda desgasta meu processo criativo, não dá pra me forçar algo que eu ainda não estou ok pra realizar.
(entendi que devo por sobrevivência praticar o que aprendi em Grande Magia)

Mas foi bom, graças a isso reparei num problema maior. O vício em Instagram. Essa rede social já me ajudou pra caramba quando comecei a seguir páginas com conteúdo construtivo, com dicas de meditação, textos reflexivos, ou como entretenimento com acesso a arte, curiosidades, moda.
Porém começou a me fazer mal no inicio de outubro (talvez antes, mas foi quando notei) coincidindo com meu #inktober. Os motivos:
1) As eleições fizeram as máscaras de muita gente cair e é decepcionante ver a postura que adotam no escudo da "opinião política". Ver a todo tempo pessoas que prezam e querem provar excessivamente suas próprias opiniões está cansativo. Pra mim, a ignorância e o sensacionalismo é que sairão vitoriosas e não a direita ou a esquerda.
2) Eu estava procrastinando pra caramba, ligava o celular pra fazer alguma coisa e no fim acabava abrindo o aplicativo sem nem me dar conta e quando via tinha passado um tempão lá. (e muitas vezes nem tinha feito o que pretendia ao pegar o celular), tava sendo um problemão isso.
3) Virei a doida dos sorteios, muitas vezes desejando coisas que eu nem sabia onde ou quando poderia usar.
4) Não podia ver algo legal, viver um momento bacana, ou criar alguma coisa, que já ficava mega ansiosa, pensando na foto boa que eu tinha que tirar daquilo para colocar no instagram, estragando o momento ou o processo com a preocupação de me exibir compartilhar.
5) O mundinho artificial onde todos são felizes, lindos, inteligentes, divertidos e bem sucedidos passou a me incomodar, e ironicamente me viciou, virou um incomodo de estimação. Onde eu estava virando uma pessoa tóxica, julgando demais, mas "tava tudo bem" porque eu só pensava, nunca postava/comentava. Seja por inveja, tédio ou desprezo, comecei a notar que eu condenava, desdenhava e criticava mentalmente, em excesso, várias perfis que eu seguia, isso já era até "comum". Quando me dei conta tive que cortar, pois não fazia bem a energia ruim que surgia disso. Então optei por deixar de seguir essas pessoas, pro bem delas, e porque não queria mais seguir alguém só pelo ridículo prazer de ficar especulando. É vergonhoso admitir, mas infelizmente é real.
Eu poderia alegar que era a imbecilidade ou falsidade de alguns que me incomodava, e assim me justificar, mas sempre que consigo tento ver o que há de errado NA MINHA ATITUDE pois isso sim dá pra eu mudar.

Ai por mera sorte, e ao acaso, o youtube me indicou um vídeo. E nele uma garota, Vicky Cammie, falava sobre seu afastamento das redes sociais por motivos de procrastinação. O vídeo é este aqui:



Através disso repensei meu uso do Instagram, e reduzi muito o tempo que dedicava a ele. Nas horas vagas passei a estudar coisas que me interessavam, e fiquei mais produtiva. Graças a esse vídeo fui pesquisar mais sobre e passei a fazer um Bullet Journal, que ela cita lá, uma espécie de agenda/lista de tarefas/diário (terá post só sobre isso) e tive um controle maior de vários aspectos da minha vida, me organizei melhor, e percebi que era bem o que eu precisava no momento. Gratidão imensa por ter esbarrado nesse vídeo, porque me incentivou positivamente demais.
Hoje o youtube me indicou mais um vídeo dela e isso me fez querer escrever sobre. Porque pra mim o instagram ou melhor, a forma como o uso continuou sendo um problema, pois ainda perdia tempo demais lá. Então deletei o aplicativo. Sabe-se lá quando vou baixar de novo. Mas me forçarei a essas férias, quero ver o que vai mudar, quero ver como vou reagir, quero ver se darei a mesma importância depois que me acostumar com a ausência. Preciso dessa pausa.

E é isso, na nossa sociedade moderna, os novos problemas estão bem fantasiados de divertimento, nossos venenos disfarçados de mera opinião, então cada vez mais é preciso ter cautela com o que deixamos entrar na nossa rotina. Até mais.