sexta-feira, 27 de abril de 2018

DEScontroladaMENTE

Numa breve pesquisa sobre descontrole emocional eu cai em um Site que me deu uma luz.
Onde dizia que não podemos mudar os acontecimentos, mas sim a forma como reagimos, também não podemos controlar: o tempo, o passado e os outros.
Eu observei que a origem do meu descontrole é a mania de querer controlar o que está além do meu alcance, e não saber controlar meus pensamentos, emoções e ações. Quero moldar as coisas externas ao invés de me render a mudança. Essa resistência só torna tudo mais difícil.
Quero que os outros sejam mais rápidos, enquanto na verdade eu deveria torna-me mais paciente.
Quero que fulano me entenda, mas não mostro disposição para entender o outro.
Quero que as coisas sejam como antes, ao invés de aceitar que as coisas mudam.

As vezes convivo com pessoas que tem o mesmo defeito que eu. Usarei como exemplo a preguiça. Vendo de fora isso me irrita, diferente do que acontece quando o mesmo erro parte de mim, pois o justifico e o amenizo até ser "aceitável". Agora se vejo isso em alguém começo a criticar a pessoa, de forma que eu quero controlar tal defeito no outro, pois ai parece ser algo tão simples de resolver! As vezes faço isso achando que "estou ajudando". Ai acabo sendo hipócrita, pois é muito mais fácil acusar, do que me mudar.

Lição simples porém necessária. 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Chororô

Dias atrás eu tive uma crise de choro. Não sei se já mencionei aqui, mas isso é algo que se tornou comum. Virei uma chorona. Em busca do motivo cheguei em algumas conclusões. Meu choro é uma forma passiva de demonstrar raiva/tristeza. Se não explodo: choro. É também minha forma de me consolar quando sou tomada pelo drama, ou de me punir quando me culpo. Choro porque meu ego ferido faz eu me magoar com pouco. Choro de vergonha depois de falar mais do que devia. Virou uma reação padrão. Isso mostra que tem algo desregulado. (isso é inclusive um dos tópicos pra uma futura consulta ao psicólogo). Esse é um problema diferente, pois a maioria das coisas com as quais luto são coisas que eu sempre tive, isso porém é relativamente novo. Não sei se a pressão de ter um relacionamento cooperou (lembrando que meu relacionamento é bom, mas o fato de eu ter dificuldade em ser contrariada e não estar no meu melhor é que complica). Seja como for tem me preocupado. Porque eu sei que não sou assim, porque consigo sentir que meu emocional tá tão fragilizado que as lágrimas brotam antes mesmo de eu conseguir refletir. É um choro precipitado, é uma angustia que toma conta de mim, sinceramente eu não sei como isso surgiu.
Porém uma descoberta recente me fez ter esperança.

Numa dessas crises de choro eu tentava usar pensamentos positivos pra reverter a situação e nem isso funcionava, aliás o que mais me irrita nisso é que não tenho controle, uma vez que começo a chorar me custa muito pra parar. Eu estava muito inquieta para meditar, então nem cogitei. Até que num belo dia, eu ainda irritada e chorando peguei o lápis e o papel e passei a desenhar, o resultado foi esse ao lado. Fiz direto com a caneta, uma unipin. Riscando o papel na tentativa de transmitir minha raiva e tristeza, quando me dei conta em menos de cinco minutos o choro cessou. Depois ao pensar sobre isso me lembrei de certas coisas que exigem minha concentração e que descongestionam a mente. Fazer malabarismo também me deixa em "transe" assim com desenhar, e fazer certos artesanatos também. A concentração me desliga do que causa o choro. E nossa como fiquei aliviada ao me dar conta de que há uma válvula de escape. Ok, o problema não é só interromper o choro, mas principalmente impedi-lo de acontecer, já que é desproporcional, porém é um progresso que fiz por acaso. Vou usar a mesma estratégia pra quando ficar com pensamentos negativos, ou raiva.
Esta semana eu estou mais zelosa com o que se passa na minha cabeça. Tô tentando reconhecer meus humores, e pensamentos. Então até aqui sei que estou bem, gostaria que isso também refletisse em conseguir dominar esse choro compulsivo. Vamos ver os próximos capítulos.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Um pasito pra trás

Sábado passado eu tive uma recaída. É duro quando você se esforça pra melhorar e em questão de minutos põe todos os dias de esforço "no lixo". O pior é que isso é algo que de tempos em tempos deixo acontecer, e o que me preocupa é quando a frequências desses "surtos" aumentam.

Foi por falta de atenção, de não refletir, de não praticar coisas que eu sei que tenho de fazer.

Eu reprimo minha irritabilidade (que é frequente e vem por coisas minimas) numa falsa ideia de controle. Isso porque não tenho o hábito de questionar o meu humor (que oscila muito), e de tempo em tempo avaliar os meus pensamentos (neuroses), e ai quando a coisa desanda é porque já tava tudo conturbado na cabeça. Ai mesmo não estando bem, me engano fingindo estar, pois não me atento ao que realmente estou sentido, me atento somente ao que quero transparecer (eis o perigo) ai me torno uma passiva-agressiva. Achando que tá tudo certo.
Mas ai chega um ponto em que eu explodo por motivos bem banais. A minha interpretação equivocada é o que empurra essa bola de neve ladeira abaixo. É como se eu caçasse um motivo pra justificar a raiva que preciso por pra fora. E ai creio que eu interpreto as coisas distorcidamente e forço mais a situação.
O que agrava, é que quando chego nesse ponto sou agressiva, rude, injusta, indiferente, sarcástica e NÃO PENSO, culpo a pessoa pelo meu descontrole (eis o absurdo). Acabo sentindo prazer em ser mal porque essa é minha forma de "descarregar a raiva" na pessoa que "fez por merecer", jogando meu ódio pra cima de quem me contrariar, criticar, ou der liberdade para minhas interpretações equivocadas.
Ninguém merece viver com essas inconstâncias, e ficar se afogando em tempestades em copos d'água. Eu acho que por ter uma vaga noção de como sou descontrolada, eu jamais achei que teria um relacionamento duradouro.

Reconheço, sempre tardiamente, mas reconheço alguns erros meus nisso tudo.
    I- Ficar mais atenta ao meu humor e administrar meus pensamentos constantemente. Para eliminar os exageros e neuroses, e também ser honesta comigo admitindo que tolerância e repressão são coisas diferentes;
    II- Não reprimir emoções, mas também não forçar situações, ou interpretar como bem entendo, para que eu as expresse de forma grosseira e desproporcional;
    III-  Assumir as minhas responsabilidades ao invés de querer culpar os outros como ocasionadores do meu descontrole/sofrimento. Lembrar que eu permito que tais coisas me desequilibrem, que não preciso levar a sério tudo que escuto/interpreto/penso, que posso sim reverter isso somente com uma visão mais clara;
    IV - Não deixar meu ego tomar conta de mim. É isso que faz eu sentir prazer em ser rude, é o combustível das minhas explosões. Esse sentimento de precisar "colocar a pessoa no devido lugar", quando na verdade sou eu que estou fora de mim.
    V - Trabalhar para que a vergonha que me vêm depois de tais retrocessos não me convençam de que todo pequeno progresso foi em vão. Reconhecer que se eu errei é porque ainda tinha algo a aprender e que o transtorno foi necessário para que isso se desencadeasse. Mas não me conformar de errar nas mesmas coisas.

Eu convivi com pessoas que tinham muitos problemas parecidos com os meus, e isso me assustou, mas me ajudou. Passei a ser mais compreensiva, pois entendia partes do processo que leva a pessoa a agir assim. Então não as julgava, o que me fez aprender a ser paciente e não levar pro pessoal. Passei a ver o quanto tal descontrole cega as pessoas. Porque ver de fora te faz ter a noção do quanto as pessoas se deixam afetar por coisas que na verdade só estão na cabeça delas.

Eu só quero estar de bem comigo mesma, não quero ser perfeita, mas quero ao menos administrar melhor o que se passa na minha cabeça pra poder ser alguém simples. Porque toda essa complicação cansa.  

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Pequenos passos já te tiram do mesmo lugar.

Lavar a louça é sempre um momento de reflexão pra mim. E ontem enquanto pensava em formas de praticar a gratidão, ou em pequenas atitudes que ajudam no bem estar, cheguei a algumas conclusões.

Eu sou impaciente e exigente. E ai me frusto com facilidade por não admitir que no processo de aprendizagem ter compaixão de si mesmo é bem importante.
Ex. Eu estou aprendendo a cozinhar somente agora. E eu me cobro ignorando que é só pela prática que vou me aperfeiçoar. Dai eu espero de mim um resultado incompatível com minha habilidade. Tem que ser um passo de cada vez, mas eu quero ser boa logo de cara, quero ser como quem já faz isso há anos, mesmo quando não me esforço o suficiente para ter lógica tal expectativa.
E essa falta de compreensão causa um desanimo precipitado. E isso atrapalha qualquer aprendizado. Ao perceber isso passei a tentar comemorar as coisas por etapas ao invés de só considerar o final.
Notei que precisava eu mesma me dar incentivos e apoio e não ficar esperando que o fizessem por mim. Ter a humildade de reconhecer as falhas e os pequenos acertos e rir de mim mesma quando der errado, com a satisfação de ao menos tentar e querer aprender com o erro.
Saber comemorar as pequenas vitórias e vibrar com cada passo dado é uma ótima maneira de gerar gratidão, de ser feliz com pouco. São coisas "bobas" que deixam as dificuldades mais leves.
É importante ver as coisas de forma fragmentada, por isso criar metas é importante. Cada meta atingida te deixa mais perto do objetivo. Não espere até que o objetivo seja alcançado pra ser feliz. Seja feliz a cada meta/etapa e as coisas que vão se somando. Seja grato pelos erros que te ajudam a se aperfeiçoar. Não deixe sua felicidade depender do futuro ou vê-la só como a recompensa final. É no caminho que deve achá-la. Seja grato pelo pouco que realiza. Some pequenas realizações ao invés de decepções, e a gratidão estará sempre ao seu lado durante sua jornada.


terça-feira, 10 de abril de 2018

Insatisfação x Gratidão

Insatisfação:

Aquele mal que me acomete sempre que olho para as diversas possibilidades e me encontro em uma que não é exatamente a melhor das opções. Ou a que idealizei.
Exemplos do que me ocorre atualmente:
Ex1: Eu estava insatisfeita com minha vida sem tempo. Passava 14hrs fora de casa, entre percurso e trabalho, passava por 4 cidades, pegava 3 ônibus. Trabalhava numa profissão que eu não me realizava, chegava tarde e esgotada em casa, atrapalhava meu relacionamento e estudos, me sugava as energias e o pouco tempo que me restava. Porém adorava a companhia das amigas no trabalho e do senso de utilidade por trabalhar.
Ex2: Consegui ser mandada embora. Agora estava insatisfeita com o tédio. Tinha mais tempo livre, porém agora isso também implica em ter novos afazeres, tarefas das quais não sou boa e nem gosto de fazer, mas que faço já que são obrigações. Passo muito tempo sozinha, fico mais preocupada com a renda, e agora tenho preguiça, já que me sinto inútil. Porém consigo fazer algumas coisas que gosto e tenho mais tempo para os estudos/relacionamento.

Este é o cenário. Parece que em cada situação naturalmente meu foco vai para as coisas que me incomodam, que pesam, que me deixam insatisfeita. Porque parece que sempre falta algo, que nada é exatamente como eu gostaria que fosse.
Claro que quando possível tento melhorar o cenário, para tornar a situação menos penosa, mas como eu não cansarei de mencionar, já que isso é um processo e estou no inicio, EU SOU FRACA.
Eu reclamo, me entristeço, choro, fico emburrada e dou chilique. Imatura, sim infelizmente.
O erro começa por não aceitar a minha falta de controle sobre a situação, e claro por criar expectativas.
Mas não são as situações que precisam mudar, mas meu modo de reagir a elas. Pois sobre isso sim eu tenho controle.

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Gratidão

Aquele momento em que reconheço as coisas maravilhosas que vivencio, ou que ocorrem com as pessoas que amo, quando me sinto em paz, leve e agradeço ao universo, pois me sinto conectada a algo maior.

Fico realmente feliz com coisas simples, mas deixo que o efeito disso dure menos que o da insatisfação. E quando notei isso comecei a me preocupar.
Eu já cheguei a fazer um caderninho onde listava diariamente as coisas pelas quais eu era grata no dia. Porém tenho certeza que se fizesse o mesmo das coisas pelas quais eu reclamaria, a lista seria bem maior.

Não consigo simplesmente ignorar aquilo que me incomoda. Mas sei que esqueço aquilo que me fez bem. E essa é uma combinação bem perigosa. O problema não é só a insatisfação, mas a desproporção.

Gratidão depende do quanto você está disposto a ver o lado bom, a aceitar que nada é perfeito, de ficar bem apesar das dificuldades, das expectativas frustradas, injustiças e carências. Gratidão é criar uma brecha para que a paz possa entrar. É saber sentir amor pela vida. A gratidão tem de ser real e ocupar um espaço cada vez maior. E o difícil é fazer as coisas simples ganharem tal proporção. Pois para sermos gratos queremos ter bons motivos, ou criar condições ou depender de vários acontecimentos, mas a verdadeira gratidão é aquela capaz de gerar nos detalhes a imensidão. É aquela que faz seu coração vibrar, capaz de nos ensinar com a simplicidade. E isso se constrói, isso se pratica. É só estar disposto a reconhecer, que existe algo acima dos problemas.

Um dos meus pontos de paz é a natureza. Quando paro para observá-la me rendo a sua beleza, complexidade e dimensão, me sinto privilegiada por poder apreciá-la e ai sou acalorada pela gratidão. A consciência também me faz ser grata, me ensina, me aperfeiçoa. Existem diversas coisas que desencadeiam isso em mim, eu só preciso observá-las. Eu só preciso sentir. E ai naturalmente as insatisfações perdem sua força.

Aprender a ser grato, é dar a vida o valor que ela merece.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Pensamentos: a raiz do problema.

"As suas emoções são escravas dos seus pensamentos, e você é escravo das suas emoções"
- Comer Rezar e Amar.

Facilmente deixo meus pensamentos atrapalharem minha vida, porque permito que minha mente seja contaminada por eles.
Parecia até que eu colecionava as minhocas que se acumulavam na minha cabeça. Ao invés de querer eliminá-las eu ia acrescentando umas novas, quando as antigas me cansavam, não é a toa que ficava com a cabeça cheia.
É difícil reconhecer quando um pensamento destrutivo começa a ganhar espaço, pois eu sou o tipo de pessoa neurótica que se apega a teorias do caos, que sente segurança no pessimismo, que se acusa/maltrata como forma de auto punição. É um tipo de masoquismo emocional. É como se minha zona de conforto fosse no sentimentalismo. Porque as vezes até a dor acha um jeito de ser confortável.

Meu ego gosta é de ver o circo pegar fogo, ai sou tomada pela impulsividade que acaba gerando a raiva. Depois fico com vergonha, por ter me excedido, por fim, acabo me punindo mentalmente por ter feito tudo errado. E nesse ciclo meus pensamentos só me desgastam.
Cuidar dos pensamentos é uma tarefa diária, policiar o que invade a mente é fundamental. Por anos eu fiquei presa aos meus pensamentos, pois não tentava cessá-los, nem mesmo sabia que tinha esse poder. Apenas me deixava ser conduzida pelas emoções que deles surgiam. Mas ler coisas como Osho me mostraram que tenho como mudar isso. Que só preciso me conhecer e estar atenta, pois a sensibilidade se desenvolve com a consciência, e estando consciente há como reconhecer aquilo que não merece atenção. Procuro questionar o que me levou a tal pensamento, como ele me afeta, que tipo de emoções eles causam, se estão de acordo com a pessoa que quero ser.
Não existe uma receita, você só precisa investigar aquilo que está dentro de você.

Meu caso: Alguém me diz algo e eu fico com raiva. Começo a questionar: "por que estou com raiva?" Disso vem uma resposta e depois disso vem novas perguntas, que me levam a perceber, que eu não estava com raiva pelo que a pessoa me disse, nem da pessoa em si, mas simplesmente porque eu tenho dificuldade de ser contrariada.
Porém é difícil reconhecer isso, pois os primeiros pensamentos nos levam a por a culpa sempre nos outros ou nas situações. É ai que a consciência tem de entrar em cena para separar as coisas.

Porque por mais que a Aline revire os olhos pro positivismo utópico, é necessário admitir que ser otimista torna as coisas mais leves. Dá pra reconhecer as falhas sem ser esmagado pelo perfeccionismo. Dá para achar alternativas. Mas pra isso é preciso exercitar a consciência.

Mudar a forma de pensar pode mudar a forma de se viver, e isso é uma das coisas, que quando meu ego não me atrapalha, eu tento praticar. 

Solidão: quando ela me fez bem, mas acabou por se tornar um mal.

Sempre fui tola por achar que pedir ajuda tornavam as pessoas "fracas". Mas em determinado momento tive que reconhecer, que fraca mesmo era eu, que insistia em estar mal e nada fazia, pois meu ego não queria perder espaço, meu orgulho não queria dar o braço a torcer. Eu até gosto de aprimoramento, porém nem sempre do árduo processo, por isso eu me acostumei a mediocridade, que se tornava cada vez mais confortável.
Mas chegou uma hora que esse conforto acabou me sufocando.

E o caso é que ler salvou minha vida. Me expandiu os horizontes, me trouxe reflexão, conhecimento. Mas a principio eu usava a leitura como uma armadura, distração. Na fase em que eu era mais solitária os livros me faziam companhia. Durante algum tempo isso colaborou para que eu me tornasse mais introspectiva, tímida e antissocial. Tinha acabado o colegial, sem amigos, no trabalho ninguém compartilhava dos mesmos interesses, e ai pronto. Meu mundinho era dentro das páginas.
O curioso é que eu aprendi muito bem a ser feliz só, não tinha dependência de companhia, podia fazer as coisas que eu gostava, dava pra ir pros lugares do meu interesse, aquela liberdade de não dever satisfações, mas a prisão de me mimar.

"Solidão: um bom lugar para visitar, mas ruim para permanecer" - Josh Billings,
[Uma citação do livro: A arte de ser leve, de Leila Ferreira. Curiosamente o meu primeiro livro de auto ajuda]

Estar só me passava a ideia distorcida de que me virar sozinha me tornava alguém "superior", por isso buscar ajuda era visto como fraqueza, eu não estava disposta a me abrir. Esse isolamento me impediu de ser confrontada, me impediu de debater ideias, ouvir criticas, isso fez com que apenas o que eu pensasse fosse levado em conta, pois não tinha quem questionasse.
Porém tem falhas que te condenam. Eu sou estressada, e esse é aquele defeito que não passa batido. Eu me irritava por pouco, pois estava acostumada a ter tudo do meu jeito, ai pronto, qualquer contrariedade era o fim do mundo, pois eu não aprendi a lhe dar com as diferenças.
Depois de ouvir algumas verdades e custar a levá-las em conta, eu acabei vendo que eu estava piorando as coisas. A solidão tornava-me arrogante e teimosa nessa falsa ideia de "eu me basto". E mais tarde a humildade é que me abriu as portas e a mente.
Ai novamente ler salvou a minha vida. Livros de filosofia ajudaram-me a reconhecer minhas limitações, e fazer a mediocridade ser um incomodo. (Valeu Nietzsche) E tempos depois, eu, que tanto discriminei livros de auto ajuda, também estava disposta a ver o que podia aprender com eles.

Era preciso mais do que páginas repletas de conselhos. Antes de conhecer as supostas soluções, eu ainda tinha muito o que aprender sobre o problema (eu). E sinceramente nada melhor do que o convívio diário com outras pessoas, e situações difíceis, pra me mostrar o que eu não queria ver de mim mesma. Muitas vezes eu não me identificava com certos defeitos, mesmo que os tivesse, pois a negação insiste em fazer parte do mecanismo de defesa. É doloroso se conhecer, pois eu deixava de ver as virtudes, quando descobria tantas falhas. Ai ficava ressentida, me sentia culpada, ficava pra baixo. Também é preciso trabalhar isso para não se deixar levar na onda da baixa estima.

Então hoje eu busco, admito que com certa dificuldade, refletir sobre o que eu realmente sou. Durante muito tempo eu inventei uma versão de mim, que não condiz com meu eu real. Sou grata hoje por cada conversa difícil, cada critica dolorosa, superações ou arrependimentos que mais tarde me proporcionaram a visão do que eu sou. É difícil se aceitar, eu sou a doida que queria consertar tudo, ou controlar tudo. Sendo que basta entender que eu sou assim e que tudo bem se eu sou uma droga as vezes, não que eu deva me conformar, mas também é através disso que surgem experiências e aprendizados. Nossos defeitos são desafios, e tendo humildade e dedicação dá para convertê-los em algo construtivo. O caminho é: Reconhecer o que eu sou, depois aprender o porquê de ser assim, me aceitar e ai conseguir equilibrar.
Não vou mentir e ser hipócrita, pois fracasso muitas vezes, pois ainda me permito ser vitima do meu ego, orgulho e baixa estima. Mas o importante é que eu estou disposta a continuar tentando. E tenho achado alguns meios para me ajudar nessa jornada, que escolhi compartilhar aqui e que me aprofundarei mais nos próximos posts.