segunda-feira, 9 de abril de 2018

Solidão: quando ela me fez bem, mas acabou por se tornar um mal.

Sempre fui tola por achar que pedir ajuda tornavam as pessoas "fracas". Mas em determinado momento tive que reconhecer, que fraca mesmo era eu, que insistia em estar mal e nada fazia, pois meu ego não queria perder espaço, meu orgulho não queria dar o braço a torcer. Eu até gosto de aprimoramento, porém nem sempre do árduo processo, por isso eu me acostumei a mediocridade, que se tornava cada vez mais confortável.
Mas chegou uma hora que esse conforto acabou me sufocando.

E o caso é que ler salvou minha vida. Me expandiu os horizontes, me trouxe reflexão, conhecimento. Mas a principio eu usava a leitura como uma armadura, distração. Na fase em que eu era mais solitária os livros me faziam companhia. Durante algum tempo isso colaborou para que eu me tornasse mais introspectiva, tímida e antissocial. Tinha acabado o colegial, sem amigos, no trabalho ninguém compartilhava dos mesmos interesses, e ai pronto. Meu mundinho era dentro das páginas.
O curioso é que eu aprendi muito bem a ser feliz só, não tinha dependência de companhia, podia fazer as coisas que eu gostava, dava pra ir pros lugares do meu interesse, aquela liberdade de não dever satisfações, mas a prisão de me mimar.

"Solidão: um bom lugar para visitar, mas ruim para permanecer" - Josh Billings,
[Uma citação do livro: A arte de ser leve, de Leila Ferreira. Curiosamente o meu primeiro livro de auto ajuda]

Estar só me passava a ideia distorcida de que me virar sozinha me tornava alguém "superior", por isso buscar ajuda era visto como fraqueza, eu não estava disposta a me abrir. Esse isolamento me impediu de ser confrontada, me impediu de debater ideias, ouvir criticas, isso fez com que apenas o que eu pensasse fosse levado em conta, pois não tinha quem questionasse.
Porém tem falhas que te condenam. Eu sou estressada, e esse é aquele defeito que não passa batido. Eu me irritava por pouco, pois estava acostumada a ter tudo do meu jeito, ai pronto, qualquer contrariedade era o fim do mundo, pois eu não aprendi a lhe dar com as diferenças.
Depois de ouvir algumas verdades e custar a levá-las em conta, eu acabei vendo que eu estava piorando as coisas. A solidão tornava-me arrogante e teimosa nessa falsa ideia de "eu me basto". E mais tarde a humildade é que me abriu as portas e a mente.
Ai novamente ler salvou a minha vida. Livros de filosofia ajudaram-me a reconhecer minhas limitações, e fazer a mediocridade ser um incomodo. (Valeu Nietzsche) E tempos depois, eu, que tanto discriminei livros de auto ajuda, também estava disposta a ver o que podia aprender com eles.

Era preciso mais do que páginas repletas de conselhos. Antes de conhecer as supostas soluções, eu ainda tinha muito o que aprender sobre o problema (eu). E sinceramente nada melhor do que o convívio diário com outras pessoas, e situações difíceis, pra me mostrar o que eu não queria ver de mim mesma. Muitas vezes eu não me identificava com certos defeitos, mesmo que os tivesse, pois a negação insiste em fazer parte do mecanismo de defesa. É doloroso se conhecer, pois eu deixava de ver as virtudes, quando descobria tantas falhas. Ai ficava ressentida, me sentia culpada, ficava pra baixo. Também é preciso trabalhar isso para não se deixar levar na onda da baixa estima.

Então hoje eu busco, admito que com certa dificuldade, refletir sobre o que eu realmente sou. Durante muito tempo eu inventei uma versão de mim, que não condiz com meu eu real. Sou grata hoje por cada conversa difícil, cada critica dolorosa, superações ou arrependimentos que mais tarde me proporcionaram a visão do que eu sou. É difícil se aceitar, eu sou a doida que queria consertar tudo, ou controlar tudo. Sendo que basta entender que eu sou assim e que tudo bem se eu sou uma droga as vezes, não que eu deva me conformar, mas também é através disso que surgem experiências e aprendizados. Nossos defeitos são desafios, e tendo humildade e dedicação dá para convertê-los em algo construtivo. O caminho é: Reconhecer o que eu sou, depois aprender o porquê de ser assim, me aceitar e ai conseguir equilibrar.
Não vou mentir e ser hipócrita, pois fracasso muitas vezes, pois ainda me permito ser vitima do meu ego, orgulho e baixa estima. Mas o importante é que eu estou disposta a continuar tentando. E tenho achado alguns meios para me ajudar nessa jornada, que escolhi compartilhar aqui e que me aprofundarei mais nos próximos posts.

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