terça-feira, 24 de abril de 2018

Um pasito pra trás

Sábado passado eu tive uma recaída. É duro quando você se esforça pra melhorar e em questão de minutos põe todos os dias de esforço "no lixo". O pior é que isso é algo que de tempos em tempos deixo acontecer, e o que me preocupa é quando a frequências desses "surtos" aumentam.

Foi por falta de atenção, de não refletir, de não praticar coisas que eu sei que tenho de fazer.

Eu reprimo minha irritabilidade (que é frequente e vem por coisas minimas) numa falsa ideia de controle. Isso porque não tenho o hábito de questionar o meu humor (que oscila muito), e de tempo em tempo avaliar os meus pensamentos (neuroses), e ai quando a coisa desanda é porque já tava tudo conturbado na cabeça. Ai mesmo não estando bem, me engano fingindo estar, pois não me atento ao que realmente estou sentido, me atento somente ao que quero transparecer (eis o perigo) ai me torno uma passiva-agressiva. Achando que tá tudo certo.
Mas ai chega um ponto em que eu explodo por motivos bem banais. A minha interpretação equivocada é o que empurra essa bola de neve ladeira abaixo. É como se eu caçasse um motivo pra justificar a raiva que preciso por pra fora. E ai creio que eu interpreto as coisas distorcidamente e forço mais a situação.
O que agrava, é que quando chego nesse ponto sou agressiva, rude, injusta, indiferente, sarcástica e NÃO PENSO, culpo a pessoa pelo meu descontrole (eis o absurdo). Acabo sentindo prazer em ser mal porque essa é minha forma de "descarregar a raiva" na pessoa que "fez por merecer", jogando meu ódio pra cima de quem me contrariar, criticar, ou der liberdade para minhas interpretações equivocadas.
Ninguém merece viver com essas inconstâncias, e ficar se afogando em tempestades em copos d'água. Eu acho que por ter uma vaga noção de como sou descontrolada, eu jamais achei que teria um relacionamento duradouro.

Reconheço, sempre tardiamente, mas reconheço alguns erros meus nisso tudo.
    I- Ficar mais atenta ao meu humor e administrar meus pensamentos constantemente. Para eliminar os exageros e neuroses, e também ser honesta comigo admitindo que tolerância e repressão são coisas diferentes;
    II- Não reprimir emoções, mas também não forçar situações, ou interpretar como bem entendo, para que eu as expresse de forma grosseira e desproporcional;
    III-  Assumir as minhas responsabilidades ao invés de querer culpar os outros como ocasionadores do meu descontrole/sofrimento. Lembrar que eu permito que tais coisas me desequilibrem, que não preciso levar a sério tudo que escuto/interpreto/penso, que posso sim reverter isso somente com uma visão mais clara;
    IV - Não deixar meu ego tomar conta de mim. É isso que faz eu sentir prazer em ser rude, é o combustível das minhas explosões. Esse sentimento de precisar "colocar a pessoa no devido lugar", quando na verdade sou eu que estou fora de mim.
    V - Trabalhar para que a vergonha que me vêm depois de tais retrocessos não me convençam de que todo pequeno progresso foi em vão. Reconhecer que se eu errei é porque ainda tinha algo a aprender e que o transtorno foi necessário para que isso se desencadeasse. Mas não me conformar de errar nas mesmas coisas.

Eu convivi com pessoas que tinham muitos problemas parecidos com os meus, e isso me assustou, mas me ajudou. Passei a ser mais compreensiva, pois entendia partes do processo que leva a pessoa a agir assim. Então não as julgava, o que me fez aprender a ser paciente e não levar pro pessoal. Passei a ver o quanto tal descontrole cega as pessoas. Porque ver de fora te faz ter a noção do quanto as pessoas se deixam afetar por coisas que na verdade só estão na cabeça delas.

Eu só quero estar de bem comigo mesma, não quero ser perfeita, mas quero ao menos administrar melhor o que se passa na minha cabeça pra poder ser alguém simples. Porque toda essa complicação cansa.  

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